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Petrobras reduz preços da gasolina e diesel em cerca de 4%

NICOLA PAMPLONA
·3 minuto de leitura
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF: O então presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF: O então presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Petrobras anunciou nesta quarta (24) cortes em torno de 4% nos preços da gasolina e do diesel em suas refinarias. É a segunda redução no preço da gasolina e a primeira no diesel após a escalada que levou ao anúncio de demissão do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, em fevereiro.

Segundo a companhia, a partir desta quinta (25), a gasolina passará a ser vendida em suas refinarias por um preço médio de R$ 2,59 por litro, uma queda de 4% ou de R$ 0,11 por litro. O diesel terá corte de 3,8%, também R$ 0,11 por litro, para R$ 2,75.

As variações acompanham o recuo na taxa de câmbio: o dólar chegou a superar os R$ 5,80 no início do mês e hoje é negociado em torno dos R$ 5,50. No mercado internacional, a cotação do petróleo também chegou a ceder com a nova onda de Covid-19 na Europa.

Em nota, a Petrobras reforçou os preços dos combustíveis no Brasil são livres e os repasses aos postos dependem também de outros fatores, como tributos, custos para aquisição de etanol anidro e biodiesel e margens de lucro de distribuidores e revendedores.

"Os preços praticados pela Petrobras e suas variações para mais ou para menos, associadas ao mercado internacional e à taxa de câmbio, têm influência limitada sobre os preços percebidos pelos consumidores finais", disse a empresa.

Nos postos, o preço do óleo diesel nos postos brasileiros permaneceu em alta na semana passada, mesmo após a isenção de impostos federais sobre o combustível, que representou um desconto de R$ 0,30 por litro.

De acordo com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis), o litro do diesel foi vendido na semana passada por um preço médio de R$ 4,274, alta de 1% em relação à semana anterior e de 2,15% em quatro semanas.

O patamar atual é superior ao verificado antes da greve dos caminhoneiros em 2018, considerando a correção pela inflação. É inferior apenas ao período mais crítico da paralisação, quando os preços nos postos estavam inflacionados pela falta de produto.

A CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) comemorou a decisão da Petrobras, mas cobra que os postos repassem imediatamente os cortes desta quarta. "A grande pergunta que fica é se isso vai chegar na ponta", diz o assessor técnico da entidade, Marlon Maues.

Ele acusa a revenda de combustíveis de aumentar rapidamente quando há reajustes para cima nas refinarias e de represar o repasse quando o reajuste é para baixo. A CNTA disse que está pedindo aos caminhoneiros para ajudar na fiscalização.

"Estamos convidando a categoria para que faça seu trabalho na ponta, de solicitar o repasse, de escolher postos que querem o bem da economia, o bem do Brasil e que não queiram levar vantagem com os aumentos abusivos", afirmou.

A isenção de impostos foi anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no início do mês. Mas o setor alega que o benefício foi engolido pela elevação de outras parcelas do preço final, como o próprio diesel, o biodiesel e os impostos estaduais.

Na mesma semana da isenção, o preço do diesel nas refinarias havia sido reajustado em R$ 0,15 por litro nas refinarias da Petrobras e o percentual obrigatório de biodiesel, mais caro, subiu de 12% para 13% da mistura vendida nos postos.

Depois, no dia 15 de março, 18 estados e o Distrito Federal elevaram o preço de referência para o cálculo do ICMS, colocando ainda mais pressão sobre o combustível. Os estados alegam que apenas seguem o valor de bomba do produto, mas alguns governadores decidiram não repassar a alta.

De acordo com a ANP, a gasolina também permaneceu em alta na semana passada, com preço médio de R$ 5,592 por litro, 1,8% acima do praticado na semana anterior. Em 2021, o preço do produto nas refinarias foi elevado seis vezes, com alta acumulada de 54%, até o primeiro corte, de 5%, na sexta (19).