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Petrobras quer antecipar acordo de coparticipação com chineses em área do pré-sal

André Ramalho

A licitação dos excedentes da cessão onerosa menciona que o limite para a assinatura do acordo vai até outubro de 2021 O diretor de exploração e produção da Petrobras, Carlos Alberto Oliveira, disse que a intenção da empresa é antecipar o acordo de coparticipação com os chineses (CNODC e CNOOC), na área do pré-sal de Búzios. Nesta sexta-feira, o executivo participou de teleconferência sobre desempenho da petroleira nos leilões de petróleo, realizados nesta semana.

Reprodução / Facebook Petrobras

A licitação dos excedentes da cessão onerosa menciona que o limite para a assinatura do acordo vai até outubro de 2021, mas o executivo afirmou que o objetivo é fechá-lo até dezembro de 2020. Oliveira disse, ainda, que a companhia quer dobrar o número de plataformas no campo de Búzios. Segundo ele, a expectativa é ter mais cinco plataformas na área, a partir de 2024. A ideia é que cada uma delas seja instalada ano a ano.

Hoje, Búzios possui hoje quatro plataformas instaladas e mais uma prevista para 2022. Questionado sobre os investimentos necessários nessas unidades, ele disse que os aportes dependerão do tamanho das unidades e do modelo de contratação (se serão unidades afretadas ou próprias). As plataformas de Búzios têm capacidade para 150 mil barris/dia, mas o executivo disse que a nova geração de embarcações pode ser maior. Ele mencionou, ainda, que a companhia estuda elevar a capacidade de produção das futuras plataformas de Búzios para acima de 200 mil barris/dia.

O executivo disse que, mesmo tendo assumido uma participação elevada, de 90%, em Búzios, vender uma participação no campo não está no radar. “Nossa intenção é prosseguir no campo de Búzios com os chineses”, afirmou Oliveira. O executivo disse ainda que, se a companhia tiver de fazer desinvestimentos de campos para reduzir sua alavancagem, a venda de Búzios não será prioridade. “Nossa primeira opção é vender outros ativos, porque Búzios é um ativo muito bom”, disse.

Por outro lado, para área de Itapu, também adquirida no leilão dos excedentes da cessão onerosa, Oliveira disse que a empresa não tem, no momento, planos de aumentar o número de plataformas.

Sem aumento de dívida

O presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, reforçou que a participação da companhia nos leilões dos últimos dois dias, nos quais a empresa se comprometeu com bônus de assinatura da ordem de R$ 67 bilhões, não significará aumento da dívida. O executivo também participou da teleconferência.

Ele destacou que a participação da companhia nos últimos leilões foi seletiva, e respeitou a disciplina na alocação de capital. A meta de desalavancagem, segundo ele, está mantida para 1,5 vez a relação dívida líquida/Ebitda. Castello branco disse ainda que não há “desvio na estratégia” da companhia e que a Petrobras tem um “grande portfólio de desinvestimentos” em curso.

Também presente na teleconferência, a diretora financeira da Petrobras, Andrea Marques, disse que a companhia pretende pagar pelos ativos que comprou nos leilões dos últimos dias com dinheiro do caixa da companhia. “Vamos usar o caixa que será gerado e o atual”, afirmou. A executiva disse que a empresa caminha para chegar ao fim do ano com um nível mínimo de caixa de US$ 6,6 bilhões, como pretendido. O saldo de caixa - e equivalentes de caixa da empresa -, ao fim de setembro, era de US$ 13,2 bilhões.

Questionada sobre as perspectivas de aumento da distribuição de dividendos, atrelado ao sucesso da companhia na desalavancagem, segundo a nova política de remuneração de acionistas, ela disse que a venda das refinarias deve contribuir com a redução da dívida a partir de 2020. “É muito dinheiro que vai nos ajudar a chegar lá [níveis menores de dívida e, consequentemente, maiores dividendos]”, afirmou.

Em setembro, a Petrobras informou o início da segunda fase dos processos de venda de ativos de refino e logística associada no país. Essa fase inclui a venda da Refinaria Gabriel Passos (Regap), em Minas Gerais; Refinaria Isaac Sabbá (Reman), no Amazonas; Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor), no Ceará; e Unidade de Industrialização do Xisto (Six) no Paraná.

Essas quatro refinarias estão dentro de um plano maior da empresa de vender ao todo 8 refinarias, com o objetivo de levantar recursos que deverão ser utilizados especialmente para a redução do endividamento, em linha com o plano de desinvestimento da estatal.