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Petrobras prevê concluir negociações com sócios chineses em Búzios em 2021, diz CEO

Marta Nogueira e Sabrina Valle
·3 minuto de leitura
Roberto Castello Branco, CEO da Petrobras

Por Marta Nogueira e Sabrina Valle

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras prevê concluir neste ano negociações com sócios chineses para o desenvolvimento dos volumes excedentes do campo de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos, e poderia comprar a parte dos parceiros se "por ventura" eles quiserem vender, afirmou nesta quinta-feira o presidente Roberto Castello Branco.

O bloco com volumes excedentes de óleo e gás do campo de Búzios, na região conhecida como cessão onerosa, foi arrematado pela Petrobras, com 90% de participação, em parceria com as chinesas CNODC e CNOOC (5% cada) em 2019.

Ambas as empresas precisam decidir valores a serem ressarcidos à Petrobras por investimentos já realizados no ativo, além de chegar a um entendimento sobre como será explorada a área --que contém reservas divididas com o campo já operacional de Búzios.

"É um ativo extremamente importante para a Petrobras e para o Brasil. É uma joia que a Petrobras tem. Custos e riscos baixos, enfim, todas as características e que classifico como um ativo de classe mundial", afirmou o executivo, ao participar de um evento online do Credit Suisse.

Segundo ele, "está tudo preparado" para chegar a um entendimento com as chinesas neste ano. Questionado se teria interesse em aumentar a participação no ativo, Castello Branco indicou que sim.

"Acreditamos que a nossa participação de 90% está ok. Se os chineses por ventura quiserem vender os 10%... ok, tudo bem, nós compramos e continuaremos a ficar felizes com a exploração do campo de Búzios."

O executivo não entrou em detalhes sobre como estão as negociações.

VENDA DE ATIVOS

Castello Branco também apresentou atualizações sobre o processo de venda de refinarias e de participações na petroquímica Braskem e na BR Distribuidora, ressaltando que a empresa está desinvestindo de ativos de menor retorno para focar na produção de petróleo e gás em águas profundas e ultraprofundas.

No caso das refinarias, o executivo afirmou que a empresa está em fase final de negociação para a venda de Refap, Rlam, SIX, Lubnor e Reman. Propostas pela Repar ainda estão em discussão, e a empresa vai ainda receber propostas por Regap e Rnest.

Segundo Castello Branco, em comparação ao pré-sal, as refinarias não são um negócio de alto retorno e foram operadas de forma ineficiente no passado, o que leva a ter altos custos.

"Há um alto consumo de energia, energia representa 50% dos custos operacionais de uma refinaria. Então os resultados não são bons", afirmou.

No caso da BR Distribuidora, a Petrobras avalia que as ações da maior distribuidora de combustíveis do Brasil estão abaixo do seu potencial e aguarda uma melhora das condições do mercado para se desfazer completamente do ativo.

Já a Braskem, segundo ele, "é muito mais complicado".

A ideia da Petrobras é listar a petroquímica no Novo Mercado da B3, mais alto nível de governança da bolsa paulista, e vender sua participação por meio do mercado de capitais.

No entanto, segundo Castello Branco, a empresa tem encontrado obstáculos por parte de sua sócia, a Odebrecht, e o processo "não tem andado".