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Petrobras não tem espaço para aventura, diz presidente em reunião sobre preço de combustíveis

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BRASÍLIA, DF, 14.09.2021 – O presidente da Petrobras, General Joaquim Silva e Luna, participa de comissão geral da câmara dos deputados, presidida pelo presidente da câmara deputado Arthur Lira (PP-AL), para falar sobre a política de preços dos combustíveis da empresa. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 14.09.2021 – O presidente da Petrobras, General Joaquim Silva e Luna, participa de comissão geral da câmara dos deputados, presidida pelo presidente da câmara deputado Arthur Lira (PP-AL), para falar sobre a política de preços dos combustíveis da empresa. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna, afirmou nesta terça-feira (14) que o preço dos combustíveis no país inclui o custo de produção da empresa e que uma eventual intervenção estatal nos valores precisaria ser compensada pelos cofres públicos. Segundo ele, não há espaço para “aventura”.

“A Petrobras é uma sociedade de economia mista sujeita a uma rigorosa governança. Não tem espaço para qualquer tipo de aventura dentro da empresa, não tem”, afirmou em audiência na Câmara dos Deputados, logo depois de apresentar cálculos sobre a composição do preço dos combustíveis.

O executivo disse que a empresa precisa cumprir uma série de regras e legislações, como a lei do petróleo, a lei das estatais, o estatuto social da empresa e a própria Constituição.

“Em conformidade com a Constituição, e os senhores sabem disso, ela [Petrobras], quando orientada pela União em condições diversas de qualquer sociedade privada que atue no mercado, será compensada. Isso aconteceu em 2018, quando houve interferência da União e acabou tendo compensação no final por esses custos”, disse.

Silva e Luna fez referência à greve dos caminhoneiros, em 2018, que levou o governo de Michel Temer a fechar um acordo para a Petrobras reduzir de forma temporária os preços de diesel e, em troca, ser ressarcida pelos cofres públicos. Na época, o governo também cortou impostos sobre o produto para baixar ainda mais os valores.

Na audiência desta terça, marcada para discutir os preços dos combustíveis como do gás, Silva e Luna recebeu vários questionamentos dos deputados. Ele afirmou em sua apresentação que os valores são compostos por uma série de itens, que incluem desde custos de extração de óleo e gás até impostos.

Segundo ele, dos R$ 6 cobrados na bomba, apenas R$ 2 ficam com a Petrobras. Ele lembra que a empresa precisa bancar custos de produção, refino do óleo e dívida.

"[A Petrobras] não passa a volatilidade momentânea dos preços internacionais de petróleo. Aquilo que é estrutural, ela absorve", afirmou.

Sobre os impostos, ele afirmou que há o estadual ICMS e também os federais Cide, PIS e Cofins. “Desses impostos, o que afeta [sic], porque acaba impactando todos os outros, é exatamente o ICMS”, disse.

O presidente Jair Bolsonaro costuma responsabilizar a política de aumentos do ICMS, aplicada pelos governadores, como principal fator de alta no preço dos combustíveis, uma argumentação que foi contestada por deputados na audiência desta terça. O governo chegou a enviar um projeto de lei ao Congresso para tentar mudar as regras do ICMS, mas o texto não foi adiante.

A audiência é realizada em meio a pressões da classe política sobre a empresa. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), questionou na segunda-feira (13) o peso dos preços dos combustíveis praticados pela estatal no bolso dos consumidores. “A Petrobras deve ser lembrada: os brasileiros são seus acionistas”, afirmou em rede social.

Também nesta terça, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, criticou a velocidade com que a Petrobras aplica os reajustes dos combustíveis.

"No Brasil o mecanismo é um pouco mais rápido [de repasse], lembrando que a Petrobras passa preços muito mais rápido do que grande parte dos outros países, a gente tem olhado isso também", afirmou Campos Neto em evento promovido pelo BTG Pactual.

A Petrobras afirma em seu site que a política de preços que adota tem como base o preço de paridade de importação, que é formado por cotações internacionais e custos que importadores teriam para trazer combustível de fora ao Brasil, como transporte e taxas portuárias, além de margem para cobrir eventuais riscos.

Os aumentos do preço da gasolina vêm pressionando o IPCA (índice oficial de preços). Em agosto, o índice avançou 0,87%, a maior taxa em 21 anos. Oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE subiram em agosto, com destaque para o segmento de transportes. Puxado pelos combustíveis, esse ramo registrou a maior variação (1,46%) e o maior impacto (0,31 ponto percentual) no índice geral do mês.

No final de agosto, Bolsonaro disse a apoiadores que o governo irá "começar a trabalhar" no preço dos combustíveis.

"Então agora está saneada a Petrobras, a gente começa agora a trabalhar na questão do preço dos combustíveis", disse Bolsonaro. "Mas não adianta a gente tratar de preço se o ICMS tiver esse valor variável, que interessa aos governadores."

Bolsonaro tem sido constantemente cobrado pelo encarecimento dos combustíveis e do gás de cozinha. Em alguns locais do país, o litro da gasolina já chega a R$ 7, enquanto o botijão de gás de cozinha passa de R$ 100.

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