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Petrobras lucra R$ 42,8 bi com combustíveis em alta e repassará R$ 9 bi à União

·4 minuto de leitura
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 24.09.2018: O atual presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 24.09.2018: O atual presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A recuperação do preço do petróleo impulsionou o desempenho da Petrobras no segundo trimestre de 2021, gerando um lucro de R$ 42,8 bilhões. No mesmo período do ano anterior, quando a pandemia derrubou as cotações internacionais, a estatal registrou prejuízo de R$ 2,7 bilhões.

Segundo a empresa, o resultado foi garantido por maiores margens de lucro nos combustíveis, maiores vendas de óleo e derivados, ganhos cambiais devido à valorização do real frente ao dólar e ganhos de participações em investimentos. No ano, a Petrobras acumula lucro de R$ 44 bilhões.

"É um prazer apresentar excelentes resultados operacionais e financeiros", disse, no balanço divulgado nesta quarta (4), o presidente da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna, que assumiu a companhia em abril, já com o trimestre e andamento.

Com o resultado, a Petrobras se propõe a distribuir R$ 31,6 bilhões em dividendos a seus acionistas. O valor será pago em duas parcelas, a primeira delas no dia 25 de agosto, somando R$ 21 bilhões. Com 28,67% das ações, a União terá direito a um total de R$ 9 bilhões.

O diretor financeiro da empresa, Rodrigo Araujo Alves, disse que o pagamento é um reconhecimento aos acionistas e "contribuição importante à sociedade brasileira" e que a companhia trabalhará para que essa remuneração seja "ainda mais consistente ao longo dos anos".

O ano de 2021 é marcado por forte recuperação das cotações internacionais do petróleo, com pressões altistas sobre os preços dos combustíveis vendidos pela estatal, em um cenário que vem gerando impactos na popularidade do presidente Jair Bolsonaro.

Em fevereiro, após escalada de preços no início do ano, Bolsonaro demitiu o então presidente da estatal, Roberto Castello Branco, em um movimento que gerou no mercado temor de intervenção na política de preços dos combustíveis e culminou com uma debandada inédita no conselho e na direção da companhia.

Escalado para substituir Castello Branco, Silva e Luna prometeu manter o acompanhamento das cotações internacionais, embora venha praticando reajustes com frequência inferior à de seus antecessores. Nesta quinta (5) a empresa completa um mês sem mudanças nos preços da gasolina e do diesel.

Ainda assim, a cesta de derivados de petróleo vendida pela companhia custou no segundo trimestre, em média, R$ 401,19 por barril, alta de 14,6% em relação ao trimestre anterior e mais do que o dobro do verificado no mesmo período de 2020.

Puxadas por diesel e gasolina, as vendas de combustíveis pela Petrobras somaram 1,8 milhão de barris por dia, alta de 17,5% em relação ao segundo trimestre de 2020, quando medidas de isolamento derrubaram o mercado. Na comparação com o primeiro trimestre de 2021, a alta foi de 5,5%.

A produção média de petróleo e gás alcançou 2,8 milhões de barris de óleo equivalente por dia, 1,1% acima do primeiro trimestre, com o aumento das operações em duas plataformas do pré-sal, região que representou 70% da produção total da Petrobras no período.

Com preços melhores e maiores vendas, a empresa teve receita de R$ 110,7 bilhões, 28,5% acima do primeiro trimestre. O Ebitda, indicador que mede a geração de caixa de uma companhia, somou R$ 61,9 bilhões, alta de 26,5% em relação aos primeiros três meses do ano.

Apenas com a venda de derivados no mercado interno, a empresa faturou R$ 63,8 bilhões, aumento de 22,6% em relação ao primeiro trimestre. Responsável pelas vendas de derivados, a área de Refino da estatal teve lucro de R$ 8,9 bilhões, alta de 28,2% em relação ao trimestre anterior.

No balanço divulgado nesta quarta, a Petrobras diz que, além dos preços dos combustíveis, o resultado foi influenciado por ganhos cambiais com a valorização do real frente ao dólar e à reversão de perdas relacionadas à BR Distribuidora, que a companhia deixou definitivamente em junho, com a venda de 37,5% das ações por R$ 11,3 bilhões.

Sem os efeitos extraordinários, o lucro do segundo trimestre teria sido de R$ 40,7 bilhões. O melhor resultado trimestral já apresentado pela companhia ocorreu no quarto trimestre de 2020, com lucro de R$ 59,9 bilhões.

Aquele balanço, porém, foi fortemente influenciado por revisões em preços dos ativos que haviam sido rebaixados com a queda do preço do petróleo após o início da pandemia. Sem esse efeito, o lucro teria sido de R$ 28,4 bilhões.

No segundo trimestre de 2021, a Petrobras continuou se aproveitando da boa geração de caixa para reduzir seu endividamento. A dívida bruta da companhia fechou o período em US$ 63,7 bilhões (R$ 337 bilhões, pelo dólar médio de venda do trimestre), bem perto da meta de US$ 60 bilhões.

"Continuamos trabalhando duro, amparados em decisões absolutamente técnicas; evoluindo e tornando-nos mais fortes para melhor investir, suprir um mercado cada vez mais exigente e gerar prosperidade para nossos acionistas e para a sociedade”, disse Silva e Luna, no texto de apresentação do balanço da companhia.

Em relatório fiscal também divulgado nesta quarta, a Petrobras diz que recolheu aos cofres públicos no primeiro semestre um total de R$ 76,7 bilhões, sendo R$ 32,4 bilhões em tributos próprios de suas operações, R$ 23,3 bilhões em participações governamentais e R$ 21,0 bilhões em tributos retidos de terceiros.

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