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Petrobras levanta R$ 11,3 bilhões com venda de últimas ações da BR

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*ARQUIVO* CABO FRIO, RJ, BRASIL, 26-09-2012 - Aeroporto internacional de Cabo Frio. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)
*ARQUIVO* CABO FRIO, RJ, BRASIL, 26-09-2012 - Aeroporto internacional de Cabo Frio. (Foto: Daniel Marenco/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Petrobras levantará R$ 11,3 bilhões com a venda de suas últimas ações na BR Distribuidora. Os papéis, que equivalem a 37,5% do capital da companhia, foram precificados nesta quarta-feira (30) e a operação deve ser concluída na sexta (2).

O valor final das ações ainda não foi divulgado, mas a reportagem apurou que os investidores se dispuseram a pagar R$ 26,00. A demanda teria superado a oferta da estatal em 2,2 vezes, chegando a R$ 23 bilhões, segundo fontes próximas ao processo.

Nesta quarta, as ações da BR Distribuidora que já são negociadas no mercado secundário encerraram o pregão a R$ 26,68 cada uma.

A operação foi coordenada por um consórcio de bancos formado por Bank of America, Morgan Stanley Citigroup, Goldman Sachs, Itaú BBA, J.P. Morgan S.A. e XP Investimentos.

A BR já foi alvo de duas operações em bolsa. Na primeira, em 2017, a Petrobras levantou R$ 5 bilhões com a venda de 28,75% do capital da subsidiária. Na segunda, em 2019, foram vendidas 33,75% das ações, por R$ 8,6 bilhões.

Assim, em valores corrigidos pela inflação, a privatização da BR rendeu à estatal R$ 26,6 bilhões. A empresa é a maior distribuidora de combustíveis do Brasil, com 27% do mercado de diesel e 25% do mercado de gasolina.

A venda da subsidiária é parte do plano de venda de ativos da estatal, que defende que precisa de recursos para reduzir sua dívida e focar na exploração de petróleo no pré-sal.

"Esta operação está alinhada à otimização do portfólio e à melhoria de alocação do capital da companhia, visando a geração de valor para os seus acionistas", disse a companhia em meados de junho, quando anunciou a retomada da operação.

A saída definitiva da BR havia sido aprovada pelo conselho de administração da companhia em 2020. A ideia era concluir a operação no início do ano, mas o processo foi atrasado pela conturbada troca no comando da Petrobras, iniciado em fevereiro, com a demissão de Roberto Castello Branco.

O programa de venda de ativos começou após os anos de prejuízo com o reconhecimento de perdas com o esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato e foi acelerado no governo Bolsonaro, que realizou em 2020 a primeira venda de refinaria da história da companhia.

A Refinaria Landulpho Alves, em Salvador, foi vendida ao fundo Mubadala por US$ 1,65 bilhão (R$ 8,8 bilhões pelo câmbio da época), processo que abriu uma guerra judicial movida por sindicatos e partidos da oposição.

O plano prevê a venda de outras sete refinarias, com a empresa focando suas operações de produção de combustíveis na região Sudeste, mantendo apenas as unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.

Nesse processo, a Petrobras vem se desfazendo também de ativos de gás natural, energia, biocombustíveis e de campos de petróleo fora do pré-sal. Sua dívida, que chegou a superar os US$ 120 bilhões, fechou o primeiro trimestre em US$ 70,9 bilhões (R$ 388 bilhões, pelo dólar médio do período).

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