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Petrobrás cria grupo interno para combater ladrões de combustível

Diego Vara/Reuters

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Estatal trabalha para evitar que crime ganhe proporções alarmantes como no México, onde perdas da Pemex somam US$ 3 bilhões por ano.

  • O crime custa à Transpetro, subsidiária de distribuição da Petrobrás, mais de R$ 150 milhões por ano, de acordo com o presidente-executivo da Petrobrás, Roberto Castello Branco.

Nos últimos cinco anos, a Petrobrás esteve no centro da maior investigação contra corrupção no país, com a operação Lava Jato, além de ter enfrentado uma recessão devastadora e preços instáveis ​​do petróleo.

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O desafio da vez da estatal brasileira é outro: o furto de milhões de reais em combustível por ladrões que o vendem no mercado negro. A informação é da agência de notícias Reuters.

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Ao todo, subiram para 261 os casos que miram oleodutos da Petrobrás nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo no ano passado, comparando com apenas um caso em 2014, segundo comunicado da empresa de agosto e declarações feitas por representantes da petroleira.

De acordo com a polícia, a maioria desses roubos é realizada por sofisticados grupos criminosos -- alguns com caminhões próprios, empresas de distribuição e até postos de gasolina no varejo.

“São criaturas criativas”, admite Julio da Silva Filho, chefe de uma unidade policial do Rio que investiga o roubo de petróleo na cidade e nos arredores.

O crime custa à Transpetro, subsidiária de distribuição da Petrobrás, mais de R$ 150 milhões por ano, de acordo com o presidente-executivo da Petrobrás, Roberto Castello Branco.

Se comparadas com as do outro grande competidor de energia da América Latina —o México—, onde gangues de criminosos se infiltraram nos negócios de petróleo em grandes proporções, as supostas perdas são pequenas. A estatal mexicana Pemex gasta mais de US$ 3 bilhões anualmente, segundo dados da empresa, graças ao furto de combustível.

Na avaliação de Silva, eliminar os problemas do Brasil o quanto antes será crucial para impedir que os criminosos se entrincheirem na indústria do petróleo.

“Estamos trabalhando exatamente para impedir que o Brasil se transforme no México”, disse ele.

Grupo interno tem 50 funcionários para rastrear roubos

Internamente, a Transpetro criou um programa para reunir informações sobre grupos criminosos e está gastando R$ 100 milhões por ano para financiá-lo, informou à Reuters uma fonte de alto escalão da empresa, que pediu anonimato para evitar retaliação por parte dos grupos do crime organizado.

Cerca de 50 funcionários estariam envolvidos no trabalho, que inclui rastrear os padrões e métodos dos ladrões de petróleo e combustíveis e compartilhar essas descobertas com a polícia, segundo a fonte.

A empresa preferiu não responder a um pedido de comentários, ainda que também tenha criado uma linha direta para o público denunciar roubo de combustível.

Segundo as autoridades, as gangues tradicionalmente focadas no tráfico de drogas se ramificaram em roubo de combustível nos últimos anos. O mesmo acontece com as chamadas milícias, dizem a polícia, que surgiram para combater as quadrilhas de traficantes, mas que se transformaram em organizações criminosas.

Trata-se de grupos altamente organizados, com divisões separadas dedicadas a explorar ilegalmente oleodutos, transportando combustível roubado e vigiando a polícia, explicou a promotora de Justiça Simone Sibilio, coordenadora do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado no Estado do Rio de Janeiro.

De acordo com ela, os criminosos usam o produto por meio de empresas como de asfalto, cujas operações exigem grandes quantidades de derivados de petróleo. Eles também vendem para proprietários inescrupulosos de postos de gasolina, prejudicando os concorrentes legais no preço, disseram as autoridades.

Os bandidos também se concentraram ainda nas vendas no varejo: para a polícia, criminosos entraram nos postos de gasolina anos atrás, como forma de lavar dinheiro de outras operações ilícitas, e abastecer essas bombas com combustível roubado, agora, se tornou um novo e lucrativo negócio.

PCC nos postos

Uma das facções criminosas mais famosas do Brasil, o PCC (Primeiro Comando da Capital) controla cerca de 300 postos de gasolina no Estado de São Paulo, segundo Paulo Miranda, presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustiveis). Isso equivale a cerca de 3% dos aproximadamente 9.000 postos de gasolina do Estado. “É uma máfia do combustível”, definiu Miranda.

Presidente da Petrobrás, Castello Branco solicitou sentenças mais duras para os ladrões de dutos para reduzir o furto de combustível. Além disso, a empresa também está perto de assinar acordos formais com a Pemex do México e a Ecopetrol da Colômbia, para facilitar o compartilhamento de estratégias anti-roubo, conforme a fonte da Transpetro.