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Petrobras eletrifica plataformas para frear avanço de emissões

(Bloomberg) -- A Petrobras vai eletrificar os maiores campos marítimos de petróleo do mundo em um esforço para desacelerar suas emissões, ao mesmo tempo em que aumenta produção.

Todas as próximas encomendas de navios de produção, conhecidos como FPSOs, deverão ser eletrificadas, disse Fabrício Benites, gerente geral de engenharia de sistemas de superfície da Petrobras, em entrevista. Cada uma dessas unidades custa cerca de US$ 2 bilhões.

A tecnologia batizada de “all electric” faz parte do plano da Petrobras para reduzir as chamadas emissões de escopo 1 e 2, gerada pela produção de petróleo, refino e transporte para os consumidores. A estratégia coloca a estatal entre outras grandes petroleiras que tentam limitar a pegada de carbono das operações de petróleo, ao mesmo tempo em que investem em fontes de energia menos lucrativas, como eólica e hidrogênio.

“Vamos atingir até 30% de redução de emissões em relação à geração anterior de projetos”, disse Benites.

As emissões de escopo 3, gerada pelos consumidores finais que queimam hidrocarbonetos em carros, caminhões e aviões, não fazem parte das metas de sustentabilidade da Petrobras ou da maioria das empresas petrolíferas estatais, enquanto muitas empresas como Shell e BP incluem o escopo 3 em suas metas.

Em 2021, a Petrobras gerou 443 milhões de toneladas equivalentes de dióxido de carbono de emissões de escopo 3, em comparação com 61 milhões de emissões de escopo 1 e 2 totais.

Mesmo assim, para uma empresa que há apenas dois anos tinha um presidente que chamava as promessas de zerar emissões líquidas de “moda”, é uma mudança nas prioridades corporativas. A Petrobras pretende reduzir suas emissões operacionais em 25% até 2030 e neutralizá-las completamente por meio de ganhos de eficiência e compensações, em um cronograma compatível com o Acordo de Paris.

Os FPSOs – unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência – são a infraestrutura mais crítica para extrair petróleo a 200 quilômetros da costa e em águas que podem passar de 7 mil metros de profundidade. Os campos marítimos são responsáveis por 98% da produção de petróleo no Brasil e 84% do gás natural.

No ano passado o Brasil alterou a regulação para permitir FPSOs eletrificados maiores, adequados para águas profundas. A Petrobras planeja adotar o conceito “all electric” para as próximas encomendas no campo de Sépia, onde anunciou recentemente uma das colunas de óleo mais espessas já descobertas, e outro para Atapu, um campo promissor do pré-sal, disse Benites.

As embarcações também extrairão água das profundezas do oceano para melhorar os sistemas de resfriamento e terão tanques maiores para armazenar gases que, de outra forma, seriam liberados. Novas encomendas só chegariam na segunda metade desta década porque os FPSOs normalmente levam ao menos quatro anos para serem construídos.

Linha de Negócios

Fornecedores de FPSOs, com Modec, SBM e Keppel, ganharão uma nova linha de negócios com as plataformas elétricas. Dona da frota de FPSOs que mais cresce no mundo, a Petrobras provavelmente conduzirá toda a indústria de petróleo offshore nessa direção.

No fundo do oceano a estatal está eletrificando os próprios poços de petróleo em um movimento que substituirá a tecnologia existente movida a gás natural. Gigantes dos serviços petrolíferos, como a SLB, que está desenvolvendo e implantando essa tecnologia no Brasil, têm a ganhar com a mudança.

Em Búzios, o maior campo de petróleo em águas profundas do planeta, onde a produção de petróleo deve chegar a dois milhões de barris por dia no final da década, a Petrobras encomendará um FPSO elétrico se decidir adicionar uma 12ª unidade, disse Benites. A companhia já tem quatro unidades em operação no campo e outras sete estão a caminho.

Búzios tornou-se um laboratório de tecnologia limpa. Os FPSOs no campo estão eliminando gradualmente o chamado flaring, processo em que o gás natural é queimado na atmosfera. A Petrobras está instalando válvulas e bombas que melhoram a contenção de vazamentos de gás.

A Petrobras vende o petróleo do pré-sal como mais verde do que a maioria dos tipos de petróleo bruto porque tem menos carbono. Como cada poço individual é muito produtivo, a empresa precisa perfurar e operar menos unidades. Búzios e os melhores campos do pré-sal geram 40% menos dióxido de carbono por barril do que a média global, segundo a Petrobras.

Embora as emissões gerais da Petrobras sejam comparáveis ​​às de outras grandes petrolíferas com níveis de produção semelhantes, incluindo Chevron e Shell, a brasileira tem metas menos ambiciosas para reduzir sua pegada de carbono, disse Fernando Valle, analista da Bloomberg Intelligence.

“Isso pode mudar à medida que o Brasil busca mais incentivos para descarbonizar a economia”, disse Valle.

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