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Petrobras e governo do Rio tentam dar novo destino ao Comperj reabrindo polo industrial de Itaboraí

·4 minuto de leitura

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Petrobras e o governo do Rio de Janeiro assinaram nesta sexta-feira (10) protocolo de intenções para tentar atrair empresas para o antigo Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), um dos maiores projetos de investimento da estatal, que naufragou após a descoberta do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

A ideia é transformar a área, hoje chamada Polo Gaslub Itaboraí, em um distrito industrial voltado a negócios que consomem gás natural, como as indústrias química, de fertilizantes, vidro e cerâmica, por exemplo. O projeto tem participação da Firjan (Federação das Indústrias do Rio de Janeiro), que estima potencial de R$ 15 bilhões em investimentos.

Localizada em Itaboraí, na região metropolitana do Rio, a área do Gaslub tem 43 mil quilômetros quadrados e foi planejada para sediar refinarias e empresas petroquímicas, além de uma unidade de tratamento de gás natural do pré-sal. Mas o projeto foi abandonado após a Operação Lava Jato, gerando grande frustração no município, que esperava a geração de empregos e renda.

Deteriorado e abandonado, o Comperj chegou a ser batizado de "cemitério da corrupção" pelo ex-presidente da Petrobras Roberto Castello Branco, que mudou o nome do complexo para tentar tirar a "mancha" da imagem do projeto. "Como foi danoso esse início, esse desenrolar do Comperj", disse nesta sexta o prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli (PL). "Mas hoje é uma esperança de dias melhores."

Atualmente, a Petrobras toca apenas a construção da unidade de tratamento de gás natural, que deve entrar em operação em 2022. O governo do Rio e a Firjan apostam que, com incentivos fiscais, empresas consumidoras do combustível podem ser atraídas pela proximidade com a oferta e pela infraestrutura já construída pela estatal na área.

O governador Cláudio Castro (PL) disse que o estado investirá na melhoria de estradas e na segurança da região, que convive com o crescimento das milícias. O estado ainda promete tributação diferenciada a empresas que se instalarem no local. Além disso, o Rio avançou na legislação do gás, facilitando que grandes consumidores comprem diretamente da Petrobras.

Segundo o secretário estadual de desenvolvimento, Vinícius Farah, nove empresas já sinalizaram interesse em se instalar no polo. "Itaboraí convive com negócios interrompidos, centenas de empreendimentos abandonados...", afirmou. "Esse projeto resgata a dignidade daquela região." Segundo a Firjan, o projeto de retomada pode gerar 11 mil empregos.

As obras do projeto foram iniciadas em 2008, em cerimônia com a presença do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Naquele ano, os investimentos eram estimados em US$ 6,5 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões, ao câmbio da época) e o início das operações foi previsto para 2012, quando a área teria uma refinaria cercada por fábricas de produtos químicos.

O Comperj foi celebrado na época como o maior projeto individual da história da Petrobras. Na cerimônia de lançamento da pedra fundamental, Lula falou em "conquista tecnológica histórica" e comemorou os esperados impactos econômicos na cidade e na região.

O líder do projeto e então diretor de Abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, foi preso pela Lava Jato em 2013 e se tornou o primeiro delator do esquema de corrupção na estatal. A construção da refinaria foi paralisada em 2015, após desentendimentos com o consórcio contratado para as obras. A Petrobras já contabilizou em balanço perdas de cerca de R$ 30 bilhões com o negócio.

No governo Michel Temer, a estatal chegou a tentar retomar o projeto original, em parceria com a chinesa CNPC, que compraria parcela de campos de petróleo e uma fatia da refinaria do Comperj. Mas as conversas foram interrompidas em 2019, sob o argumento de que o negócio não teria viabilidade econômica.

Agora, o governo do Rio e a Firjan acreditam que os 21 milhões de metros cúbicos de gás natural que chegarão ao local por dia podem servir como âncora para o desenvolvimento industrial da região. Com 244 mil habitantes, segundo o IBGE, Itaboraí ocupava em 2018 a 2.582ª posição no ranking brasileiro de PIB per capita.

Em 2015, último dado disponível pelo IBGE, era um dos piores municípios do país em relação à capacidade de gerar receitas, com 56,1% de sua arrecadação proveniente de fontes externas — dado que a colocava na 4.878ª posição do ranking dos 5.570 municípios brasileiros.

"Os protocolos de intenções que ora assinamos são o primeiro passo de uma longa e promissora caminhada com a criação do complexo industrial do polo Gaslub", disse nesta sexta o presidente da Petrobras, Joaquim Silva e Luna. "Junto com a Petrobras, essas empresas contribuirão para o desenvolvimento e pela geração de emprego e renda para o leste fluminense."

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