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Petrobras busca Justiça e tem equipes para manter operações durante greve

SÃO PAULO (Reuters) - A Petrobras <PETR4.SA> informou nesta segunda-feira que, apesar de greve iniciada no último sábado por sindicatos de trabalhadores, suas unidades produtoras seguem "operando dentro dos padrões de segurança", com acionamento de equipes de contingência quando necessário ou mesmo recursos à Justiça em alguns casos.

"A companhia vem atuando para garantir o acesso normal às unidades e o revezamento de turnos dos seus profissionais, ainda que se faça necessária a busca da Justiça, para fazer valer seus direitos, tendo obtido decisões liminares que garantam a continuidade e a segurança das operações", disse a empresa mais cedo em nota, ao ser questionada sobre a paralisação.

"As atividades da Petrobras são serviços essenciais e condições adequadas de segurança e de operação devem ser garantidas", destacou a empresa.

Na noite desta segunda-feira, a petroleira acrescentou que não houve impactos na produção nem no abastecimento ao mercado.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que nesta segunda-feira a greve avançou para 11 Estados do país e 20 bases operacionais.

A FUP disse ainda que não houve rendição de turno em várias refinarias e térmicas, entre outras unidades.

"Ao longo do dia, novas adesões devem ocorrer, fazendo avançar o movimento, que entra hoje no terceiro dia de paralisação", disse a FUP.

A entidade sindical afirmou também que atos e acampamentos em diversas unidades da Petrobras ocorrem por todo o país e também na sede administrativa da empresa, no Rio de Janeiro, onde a Comissão de Negociação Permanente da FUP ocupa uma sala há quase 72 horas.

A FUP cobra "interlocução com a gestão da empresa para suspender as demissões" na unidade de fertilizantes Fafen-PR e outras medidas sobre o Acordo Coletivo de Trabalho.

A Petrobras, por sua vez, reiterou que considera "descabidas as justificativas apresentadas pelos sindicatos, uma vez que todos os compromissos firmados na negociação do Acordo Coletivo de Trabalho vigente vêm sendo integralmente cumpridos".

No início do mês passado, a Petrobras aprovou a hibernação da fábrica de fertilizantes de sua subsidiária Araucária Nitrogenados (ANSA) no Paraná, o que segundo a companhia resultaria na demissão de 396 empregados da unidade.


(Por Roberto Samora em São Paulo; reportagem adicional de Marta Nogueira no Rio de Janeiro)