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Petróleo tem recuperação parcial e fecha em alta

Valor

Os preços do petróleo fecharam a sessão em alta consistente, com os investidores ajustando posições um dia após a maior desvalorização diária nos preços da commodity desde a Guerra do Golfo, em 1991.

Os contratos futuros do Brent para maio encerraram o dia em alta de 8,32%, aos US$ 37,22 o barril, na bolsa ICE, em Londres, enquanto os preços do West Texas Intermediate (WTI) para entrega em abril subiram 10,37%, para US$ 34,36 o barril na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex).

Mesmo com a recuperação na casa dos dois dígitos, a alta de hoje é "relativamente modesta" em comparação com o tombo da véspera, disse Tyler Richey, co-editor do Sevens Report Research.

"Poderíamos facilmente ver uma retração mais alta nos preços nos próximos dias e semanas, dada a deterioração dos principais fundamentos do mercado". Ele classifica como negativo o movimento da Opep de abandonar os cortes na produção e a desaceleração da demanda de petróleo devido ao surto de coronavírus.

"Parece que estamos entrando em uma dinâmica semelhante à do [segundo semestre de 2014], quando os preços do petróleo entraram em colapso", escreveu.

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A consultoria britânica Capital Economics é outra instituição que não acredita em uma recuperação sustentada nos preços da commodity ao longo de 2020. Segundo o relatório assinado pelo economista-assistente de commodities da companhia, Samuel Burman, os preços do Brent devem permanecer abaixo dos US$ 50 o barril até o fim do ano.

Segundo ele, em eventos anteriores, uma queda nos preços do petróleo normalmente levava à redução da oferta e a um estímulo político que, por sua vez, resultava na recuperação dos preços. "No entanto, desta vez, o estímulo pode não ser tão efetivo imediatamente e é provável que a oferta aumente", escreveu.

A queda vertiginosa dos preços do petróleo ocorreu nos últimos dias em meio ao colapso das negociações entre a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e seus aliados para promover restrições na oferta global da commodity.

O cartel pressionava seus membros e aliados liderados pela Rússia a aprofundar os cortes de produção existentes em 1,5 milhão de barris por dia. O objetivo era fazer frente à queda nos preços provocada pela redução na demanda, que sofria com perspectivas negativas resultantes do impacto da epidemia de coronavírus.

Moscou, no entanto, se opôs ao pedido saudita. As restrições previamente existentes vão expirar no fim de março, o que permitirá aos membros e não-membros produzir petróleo livremente.

Hoje, nem a Arábia Saudita nem a Rússia pareciam inclinados a recuar de suas posições. A Saudi Aramco afirmou que aumentará o petróleo disponível para seus clientes para 12,3 milhões de barris por dia em abril. Estima-se que a empresa produza cerca de 9,8 milhões de barris por dia atualmente.

Já o ministro da Energia da Rússia, Alexander Novak, disse que o país pode potencialmente aumentar a produção em até 500 mil barris por dia a longo prazo, mas não fechou as portas à cooperação com a Opep no futuro, segundo informou a S&P Global Platts.