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Petróleo fecha em baixa com perspectiva de queda da demanda

André Mizutani

O contrato do petróleo Brent para abril fechou em queda de 0,89%, a US$ 53,96 por barril, e o WTI para março recuou 0,0,99%, a US$ 49,61 por barril Os contratos futuros do petróleo fecharam em queda nesta terça-feira (4), ainda sofrendo pressão dos temores sobre o impacto do surto do coronavírus. Depois de operar em alta durante a maior parte da sessão, os contratos da commodity passaram a cair com a perspectiva de forte queda da demanda.

O contrato do petróleo Brent para abril fechou em queda de 0,89%, a US$ 53,96 por barril, na ICE, em Londres, enquanto o WTI para março recuou 0,0,99%, a US$ 49,61 por barril, na Bolsa de Mercadorias de Nova York (Nymex), perdendo o nível dos US$ 50. Ambas as referências fecharam, ontem, em "bear market", situação definida por uma queda de mais de 20% de um ativo em relação ao pico recente.

De acordo com o "Financial Times", a BP afirmou, nesta terça, que o surto de coronavírus pode reduzir o crescimento da demanda global de petróleo em 40% este ano, o que aumenta a pressão sobre os produtores da Opep e a Rússia para reduzir a oferta, com a finalidade de manter os preços da commodity sob controle.

Brian Gilvary, diretor financeiro da companhia, que é a principal petroleira do Reino Unido, disse que entre 300 mil e 500 mil barris por dia estavam em risco este ano — boa parte do crescimento de 1,2 milhão de barris por dia na demanda, inicialmente esperado pela empresa e pelas agências globais de energia.

Gilvary acrescentou que a BP estava monitorando atentamente "se a Opep conseguirá equilibrar a oferta e a demanda ou não", aprovando cortes de produção com aliados, incluindo a Rússia, para levar os preços do petróleo Brent "de volta aos US$ 65 por barril".

Opep

A Opep e seus aliados, incluindo a Rússia, se reúnem nesta terça em Viena para discutir uma possível resposta ao surto do coronavírus, de acordo com fontes consultadas pela Dow Jones Newswires. O grupo estaria considerando um corte inicial de 500 mil barris diários.

Uma das projeções do grupo, que inclui um surto severo de seis meses de duração, sugere que o mercado poderia enfrentar um excesso de oferta de 1 milhão de barris diários no segundo semestre, caso a Opep e aliados não tomem nenhuma providência.

"Todo mundo sabe que os sauditas novamente terão que fazer mais do que o resto da Opep, se quiserem evitar que a queda nos preços do petróleo fique mais violenta na crise atual", escreveu Barani Krishnan, analista de commodities da Investing.com, em comentário. "Diferentemente dos movimentos de vendas anteriores de petróleo, onde o excesso de oferta era o problema, a crise do coronavírus é mais sobre demanda ou, melhor dizendo, sobre a falta dela", disse ele. "Aqui, a demanda evaporou repentinamente quase da noite para o dia, e tudo aconteceu com uma fonte: a China."