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Petróleo desaba, Bolsa cai e dólar acelera sob temor de recessão

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*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL - 09-05-2015: Visitantes na Bovespa. Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa Bolsa de Valores de Sao Paulo apos o anuncio da anulacao do impeachment. -  (Diego Padgurschi /Folhapress)
*ARQUIVO* SAO PAULO, SP, BRASIL - 09-05-2015: Visitantes na Bovespa. Gráfico das recentes flutuações dos índices de mercado no pregão da BM & F Bovespa Bolsa de Valores de Sao Paulo apos o anuncio da anulacao do impeachment. - (Diego Padgurschi /Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O temor de recessão generalizada aprofundava o mergulho dos mercados de ações e forçava para baixo o preço do petróleo nesta terça-feira (5), contrariando expectativas de alta devido às pressões inflacionárias que a guerra na Ucrânia impõe sobre a matéria-prima.

Em resposta ao risco, investidores buscavam ativos ligados ao dólar, provocando forte valorização da moeda americana.

No mercado de câmbio do Brasil, às 12h45, a divisa estrangeira subia 1,29%, a R$ 5,3940. Mais cedo, havia alcançado R$ 5,4040, na cotação máxima do dia.

Se mantido nesse patamar até o fim das negociações, o dólar terá a sua maior cotação desde o final de janeiro.

No mercado de ações doméstico, o Ibovespa, índice de referência da Bolsa de Valores, recuava 2,03%, a 96.499 pontos, acompanhando o clima negativo do exterior.

As taxas de juros dos contratos DI (Depósitos Interbancários) de curto prazo voltaram a apontar para o alto pelo segundo dia consecutivo, após uma trégua na semana passada. Negociada entre bancos, a taxa DI sobe quando o setor espera que o Banco Central será obrigado a aumentar os juros básicos (Selic) para segurar a inflação.

Na Bolsa de Nova York, o indicador S&P 500 perdia 1,75%. Dow Jones e Nasdaq caíam 1,91% e 1,75%, respectivamente.

No mercado internacional de petróleo, o preço do barril da matéria-prima em estado bruto desabava 7,79%, a US$ 104,66 (R$ 578,38). A queda dessa commodity, classificada como Brent, pode chegar a US$ 65 (R$ 359,20) em caso de recessão global liderada pela desaceleração dos Estados Unidos, segundo avaliação do Citigroup e reportada pela Bloomberg.

A avaliação do ​Citigroup contraria a recente expectativa de elevação a estratosféricos US$ 380 do Brent (R$ 2.099) apontada pelo JP Morgan, que considera um cenário em que a Rússia elevaria substancialmente os preços da sua produção em resposta às sanções impostas pelo Ocidente devido à invasão na Ucrânia.

O contexto desfavorável às commodities levava para o fundo as duas principais empresas da Bolsa brasileira. A Petrobras mergulhava 5,01%, enquanto a Vale caia 2,41%.

Na véspera, o Ibovespa caiu 0,35%, a 98.608,76 pontos, em um dia de pouca liquidez no mercado devido ao feriado do Dia da Independência nos Estados Unidos.

"O retorno dos negócios nos Estados Unidos [após o feriado] encontra uma sessão de aversão a risco global nos mercados, com os temores com uma reação agressiva dos bancos centrais e uma consequente recessão pesando nos preços das bolsas e das commodities", comentou Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura. "Não é uma prescrição animadora para o Ibovespa", disse.

No cenário político doméstico, investidores acompanham a evolução no Congresso da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que estabelece um estado de emergência para ampliar e criar novos auxílios sociais.

A Bolsa vem apresentando prejuízos devido a um cenário que mistura medo de uma forte desaceleração nas principais economias do planeta e risco de que o governo brasileiro provoque prejuízos à execução futura do Orçamento ao aumentar gastos em uma tentativa de melhorar a popularidade do presidente Jair Bolsonaro (PL), que disputará a reeleição.

No fechamento do segundo trimestre de 2022, o Ibovespa afundou 17,88%. Esse foi o pior resultado desde o mergulho de 36,86% apurado no encerramento do primeiro trimestre de 2020. Com queda mensal de 11,5%, o Ibovespa também teve em junho o seu pior mês desde o tombo de 29,9% em março de 2020.

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