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Petróleo cai com temor que juros altos diminuam demanda mundial

(Bloomberg) -- O petróleo caminha para fechar a mais longa sequência de perdas semanais do ano, com perspectivas piores para a demanda por energia após a intensificação do aperto monetário em vários países.

Os futuros de West Texas Intermediate caíram até 3,8% na sexta-feira, para US$ 80,35, em uma quarta semana de quedas. O Federal Reserve deu seu sinal mais claro até agora de que está disposto a tolerar uma recessão nos EUA para controlar a inflação, enquanto Reino Unido, Noruega e África do Sul também aumentaram juros.

O petróleo deve registrar sua primeira perda trimestral em mais de dois anos. Os preços também sofrem a pressão da força do dólar, que atingiu um nível recorde contra as principais moedas na sexta-feira, segundo indicador da Bloomberg. Isso torna as commodities precificadas na moeda americana mais caras para o mercado global.

O declínio do preço do petróleo é impulsionado por um dólar mais forte e “o aperto agressivo da política monetária”, disse Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS.

Se o petróleo cair ainda mais, a Opep pode ser forçada a cortar produção, disse o ministro do petróleo da Nigéria, Timipre Sylva. O cartel e seus aliados no início deste mês concordaram com a primeira redução no fornecimento em mais de um ano.

Pode haver mais turbulência pela frente com uma iminente proibição da União Europeia ao petróleo russo. Os países membros também correm para chegar a um acordo político que imporia um teto de preço ao petróleo russo. O impulso ganhou força depois que o presidente Vladimir Putin anunciou esta semana uma mobilização de tropas, intensificando a guerra na Ucrânia.

Mas Alguns dos principais bancos de Wall Street preveem uma recuperação nos preços devido aos baixos estoques e demanda sustentada apesar das preocupações com recessão. O JPMorgan prevê o barril de Brent a US$ 101 no último trimestre de 2022, enquanto o Goldman Sachs espera que salte para US$ 125, comparado a cerca de US$ 88 agora.

“Este será um último trimestre muito, muito volátil” Amrita Sen, cofundadora e diretora de pesquisa da Energy Aspects, disse em entrevista à Bloomberg. Existem “muitos fatores diferentes e contraditórios que impulsionam os preços no momento”, acrescentou.

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