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Pessoas lambem e fumam toxina de sapo e sentem "onda" voltar dias depois

Pessoas estão utilizando a bufotoxina, substância leitosa expelida pelos sapos bufos, para ter viagens psicodélicas — experiências descritas como "místicas", capazes de mudar a vida de um indivíduo. Fumar o psicoativo, no entanto, parece estar causando "flashbacks", ou retornos sensoriais ao momento da psicodelia muito tempo depois do uso. Algumas pessoas lambem o sapo, mas o governo americano já desaconselhou a prática, para o bem do animal e da pessoa.

A experiência é chamada de reativação, e, na maioria dos casos, parece estar sendo positiva. O composto em questão é o 5-MeO-DMT, expelido nas secreções do sapo-do-rio-colorado ou sapo-do-deserto-de-sonora (Bufo alvarius), nativo dos Estados Unidos e norte do México, e vem sendo estudado em possibilidades terapêuticas contra a depressão e outros problemas de saúde mental.

Potente, o efeito da substância dura pouco, cerca de 20 minutos, ao contrário da psilocibina dos cogumelos alucinógenos, mais fraca, porém mais duradoura, chegando ter efeitos que duram horas. Outros psicodélicos, como o LSD, também causam essas reativações, caracterizadas por sensações emocionais, perceptivas ou somáticas experienciadas primeiro durante o estado psicodélico agudo.

O sapo-do-deserto-de-sonora produz a 5-MeO-DMT, substância que causa viagens psicodélicas (Imagem: Holger Krisp/CC-BY-3.0)
O sapo-do-deserto-de-sonora produz a 5-MeO-DMT, substância que causa viagens psicodélicas (Imagem: Holger Krisp/CC-BY-3.0)

Como são as reativações?

As sensações são descritas como percepção corporal agradável e sentimentos de serenidade, relaxamento e de "ser uno com o mundo": são tão generalizadas que têm seu próprio termo, "Transtorno perceptivo persistente por alucinógenos" (HPPD), dividido em Tipo 1 e Tipo 2. No primeiro, as experiências são positivas, um déjà vu agradável, enquanto a segunda envolve experiências repetidas, persistentes e estressantes, sendo uma condição séria.

Alguns relatos anedóticos por usuários da 5-MeO-DMT de sapos envolvem sensações de reativação ocorrendo por semanas, o que preocupou cientistas e os fez entrevistar 513 indivíduos, que consumiram a droga em vários cenários diferentes. Dos pesquisados, 73% fumou uma versão sintetizada em cerimônias de grupo e teve os flashbacks um tempo depois, enquanto 27% fizeram uso em contextos menos estruturados.

Dos que utilizaram a substância em contextos cerimoniais, 96% tiveram somente reativações positivas ou neutras: 93% dos usuários em outros contextos também não tiveram experiências de retorno negativas. Com esses dados, o fenômeno pode acabar sendo descrito não como um efeito adverso, mas sim um subproduto neutro ou positivo do uso do psicodélico, segundo os cientistas.

As viagens psicodélicas de reativação são descritas como positivas, em sua maioria, mas há quem sofra de recorrências negativas (Imagem: FLY:D/Unsplash)
As viagens psicodélicas de reativação são descritas como positivas, em sua maioria, mas há quem sofra de recorrências negativas (Imagem: FLY:D/Unsplash)

Contexto e terapia

É preciso considerar, no entanto, o contexto de administração da droga. Os especialistas acreditam ser possível que as reativações contribuam para os efeitos antidepressivos e contra a ansiedade, já relatados por pesquisas anteriores. Entre os participantes da pesquisa, os identificados como sendo do sexo feminino tiveram 2 vezes mais chances de ter reativações. Isso pode estar ligado a mudanças em ondas cerebrais alfa, que mudam conforme o sexo, mas a explicação ainda é especulativa e não foi investigada a fundo.

Na maioria dos casos, os efeitos duraram apenas alguns dias ou semanas, mas há casos, especialmente anedóticos, vale apontar, onde as pessoas tiveram ansiedade e insônia por conta da recorrência das experiências de retorno à psicodelia. No geral, os efeitos ficam sendo considerados transientes, mas intensos, ou HPPD Tipo 1.

Fonte: Canaltech

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