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Pesquisadores criam ovário sintético, impresso em 3D, que já funciona em animais

Fidel Forato

Já imaginou implantar um ovário artificial, feito com o uso de impressoras 3D, para resolver problemas de infertilidade? É possível que nos próximos anos a ciência seja capaz disso, já que pela primeira vez, cientistas identificaram e mapearam proteínas estruturais — aquelas que mantêm a forma celular — em um ovário de porca.

Essa identificação permitiu o desenvolvimento contínuo de uma "tinta" que contém essas proteínas e que será usada para a impressão 3D de um ovário bioprotético, feito para implantes em humanas. Dessa maneira, a invenção visa permitir que mulheres inférteis — com insuficiência ovariana prematura (IOP) — tenham um filho, por exemplo. Os detalhes do desenvolvimento dessa tinta foram publicados na revista científica Nature.

A IOP, tembém conhecida como menopausa precoce, afeta aproximadamente uma em cada seis mulheres sobreviventes de cânceres. Para entender a dimensão e a possível utilidade desse ovário impresso, só nos Estados Unidos, mais de 11.000 crianças de até 14 anos serão diagnosticadas com câncer apenas este ano, resultando em cerca de 1.800 novos casos dessa insuficiência, somente em 2020, com base nas estatísticas.

Por isso mesmo é que "este é um grande passo para meninas que se submetem a tratamentos contra o câncer que prejudicam a fertilidade", explica a autora sênior do estudo, Monica Laronda, PhD, diretora de pesquisa do programa de restauração e preservação de fertilidade e hormônios do Ann & Robert H. Lurie Children's Hospital of Chicago e professora da Universidade Northwestern.

Pesquisadores americanos desenvolvem tinta para impressão de ovário 3D (Foto: Reprodução/Organovo)

Como funciona a impressão?

Segundo a professora Laronda, o objetivo das pesquisas "é usar as proteínas estruturais do ovário para projetar um arcabouço biológico capaz de suportar um banco de potenciais ovócitos e células produtoras de hormônios. Uma vez implantado, o ovário artificial responderia a sinais naturais de ovulação, permitindo a gravidez".

"As proteínas estruturais de um ovário de porca são o mesmo tipo de proteína encontrada em humanos, dando-nos uma fonte abundante de uma biotinta mais complexa para a impressão 3D de um ovário para uso humano", explica a Dra. Laronda.

Em testes com células bovinaso, Laronda e sua equipe já imprimiram, em 3D, um ovário artificial que foi implementado com sucesso em ratas estéreis. Na experiência, os animais selecionados foram capazes de engravidar e gerar filhotes vivos. Esses resultados foram publicados em 2016, na mesma revista científica.

Próximos passos

"Estamos um passo mais perto de restaurar a fertilidade e a produção de hormônios em mulheres jovens que sobrevivem ao câncer infantil, mas entram na menopausa precoce como efeito tardio. Ainda há vários passos a seguir e estamos animados para testar nossas novas tintas", comenta a professora da Universidade Northwestern sobre os próximos desafios

A metodologia que Dra. Laronda e sua equipe utilizaram para a identificação e mapeamento de proteínas estruturais em um ovário pode ser usada também por outros cientistas na investigação do funcionamento de diferentes órgãos humanos. Por isso, mesmo que seja "a primeira vez que isso é realizado", a equipe da universidade norte-americana espera que "isso incentive mais pesquisas sobre o microambiente de outros órgãos."


Fonte: Canaltech

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