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Pesquisa indica que estudos relacionando transtornos mentais a uso de redes sociais são falhos

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Pesquisa indica que estudos relacionando transtornos mentais a uso de redes sociais são falhos
Pesquisa indica que estudos relacionando transtornos mentais a uso de redes sociais são falhos

Artigos científicos ligando transtornos mentais ao uso de redes sociais geralmente se baseiam em dados falhos, é o que diz Craig J.R. Sewall, um pós-doutorando de saúde mental infantil e adolescente da Universidade de Pittsburgh. Sewall apontou que esses artigos baseiam suas conclusões em informações de tempo gasto em redes sociais dadas pelos próprios usuários. A questão é que as pessoas são muito ruins em estimar seu tempo nas redes sociais, e há provas de que pessoas passando por questões de saúde mental são ainda menos confiáveis para fazer essa estimativa. Como estudos apontam, é muito difícil para qualquer pessoa lembrar corretamente algo que ela faz habitualmente.

Taxas de depressão e suicídio entre jovens vêm subindo de maneira estável desde o meio da década de 2000, por volta da mesma época em que as redes sociais começaram a ganhar impulso. Desde que essas tecnologias se tornaram onipresentes, a saúde mental dos jovens continuou a piorar. Estudos sobre a ligação entre transtornos mentais e uso de redes sociais com informações dadas pelos próprios pacientes chamaram a atenção da mídia mainstream nos últimos 15 anos. Grandes meios de comunicação ainda publicam matérias mostrando esse link como verdade absoluta. E políticos já introduziram projetos de lei para limitar o uso de redes sociais para jovens para 30 minutos por dia.

Screen Time da Apple ajudou na pesquisa

Mas agora pesquisadores estão apontando a disparidade entre informações dadas pelos participantes de estudos e o uso real da tecnologia. Em sua pesquisa, Sewall e seus colegas descobriram que a ligação entre uso de tecnologia e saúde mental era mais forte quando as medidas de uso eram dadas pelas pessoas, em vez de usar uma medida objetiva. Como exemplo, Sewall apontou o app Screen Time da Apple, que mede automaticamente tempo de uso do aparelho. Usando essas medidas objetivas, os pesquisadores descobriram que aumento no uso de redes sociais não estava ligado a aumento de depressão, ansiedade ou pensamentos suicidas. E tem mais, jovens que passavam mais tempo em seus celulares com frequência relatavam níveis mais baixos de depressão e ansiedade.

Sewall também apontou que cyberbullying e exposição a conteúdo violento online pode realmente prejudicar a saúde mental dos jovens. Mas pesquisadores também sugerem que tirar a tecnologia dos jovens totalmente pode fazer mais mal que bem.

Para Craig Sewall e seus colegas, a realidade da ligação entre transtornos mentais e uso de redes sociais só ficará claro com mais pesquisas usando medidas realmente confiáveis.

Via Fast Company

Imagem: Pixabay / Pexels

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