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Peso mexicano volta a ganhar preferência dos investidores

·3 min de leitura

(Bloomberg) -- O peso está novamente ganhando a preferência dos investidores, depois de um breve período de volatilidade no final do ano passado.

A moeda superou todas as 24 divisas de mercados emergentes monitoradas pela Bloomberg desde o final de novembro, quando o presidente Andres Manuel Lopez Obrador escolheu um nome relativamente desconhecido como presidente do Banxico e provocou turbulência nos mercados.

A moeda atingiu a alta máxima em dois meses na quinta-feira, incólume à disparada dos rendimentos dos títulos dos EUA.

Este pode ser apenas o começo de uma forte corrida pelo peso, já que os investidores são atraídos pela alta das taxas de juros do México, que tem um calendário sem eleições e laços estreitos com a economia dos EUA. Isso é ainda mais atraente em uma região onde a incerteza política aliada ao mercado global turbulento aumenta a volatilidade implícita, tornando mais caro para operadores manter moedas mais arriscadas.

A taxa de juros básica do México, de 5,5%, é bem menor do que a do Brasil, de 9,25%, mas a volatilidade implícita de um dígito do peso está bem abaixo da do real, que é superior a 14%. Também é muito inferior às do rublo russo e do rand sul-africano, o que dá ao peso um dos melhores perfis de risco-retorno no mundo em desenvolvimento.

“O peso mexicano ainda é uma das moedas mais atraentes entre os mercados emergentes”, disse Mauro Roca, diretor administrativo de mercados emergentes do TCW Group, em Los Angeles.

O banco central do México, conhecido como Banxico, elevou a taxa básica de juros em 125 pontos base no ano passado, com a inflação acelerando para o ritmo mais rápido em duas décadas. Economistas prevêem que a taxa chegue a pelo menos 6,50% até o final de 2022, segundo a última pesquisa do Citibanamex.

Os operadores, entretanto, preveem um aperto mais agressivo, com aumento de mais de 200 pontos base, o que ajuda o peso a resistir à turbulência causada pelas expectativas de aperto do Federal Reserve.

“Os riscos estão claramente inclinados para a alta”, da taxa de referência, escreveram em nota os analistas do Citibanamex liderados pelo economista-chefe Adrian de la Garza. O banco atualmente prevê aumentos de 125 pontos base da taxa este ano.

A próxima reunião do Banxico em 10 de fevereiro será a primeira sob a liderança de Victoria Rodriguez Ceja -- os investidores examinam os discursos das autoridades para determinar se a alta de 50 pontos-base do mês passado foi um evento único. A nomeação de Rodriguez, que tem pouca experiência em política monetária e fez poucos comentários sobre a inflação, abalou os mercados e levou o peso para a mínima de 2021, a de 22,155 por dólar em novembro.

Sacha Tihanyi, chefe de estratégia de mercado emergente da TD Securities em Toronto, disse que existe a possibilidade de o banco central não entregar os aumentos de taxa que os operadores esperam, o que afetaria o peso.

“O Banxico decepcionará as expectativas do mercado? Os riscos não são zero, principalmente no patamar em que as taxas já estão precificadas”, disse Tihanyi.

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