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Peso do lucro no spread bancário sobe de 17,8% para 21,5% entre 2018 e 2019

Alex Ribeiro

Dado sobre contribuição da margem financeira das instituições consta de relatório do BC; spread bancário subiu de 12,35 pontos percentuais para 12,92 A contribuição do lucro dos bancos no spread bancário voltou a subir em 2019, passando a 21,53%, ante 17,8% registrados no ano anterior. O dado consta do Relatório de Economia Bancária (REB) divulgado nesta quinta-feira pelo Banco Central.

O spread bancário subiu de 12,35 pontos percentuais para 12,92 pontos entre 2018 e 2019, levando em consideração o chamado Indicador de Custo de Crédito (ICC).

O ICC como um todo teve uma leve alta, de 20,95 pontos para 20,97 pontos. O custo de captação de recursos pelas instituições financeiras recuou de 7,03% para 6,46%.

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Tecnicamente, a contribuição do lucros dos bancos é chamada de margem financeira no ICC. Nesse indicador, é considerado o resíduo que sobra depois de eliminadas outras despesas, como custos de captação, de inadimplência, administrativos e pagamentos de impostos.

O ICC estima o custo médio, sob a ótica do tomador, de todas as operações de crédito vigentes na carteira dos bancos, independentemente do período em que foi contratada.

O peso da inadimplência no spread do ICC recuou de 33,82% para 30,98% entre 2018 e 2019. As despesas administrativas tiveram um recuo relativo, de 28,07% para 27,81%, e os tributos e FGC, de 20,31% para 19,67%.

Concentração bancária cede

O sistema bancário ficou levemente menos concentrado em 2019, segundo o relatório.

O chamado índice Herfindahl-Hirschman Normalizado (IHH), um termômetro de concentração bancária, recuou de 0,1390 para 0,1367 entre 2018 e 2019 para o segmento bancário comercial. Quando maior esse numero, mais concentrado o sistema.

Em termos práticos, esse IHH significa que, em 2019, havia 7,3 bancos efetivamente competindo pela clientela no segmento comercial, ante 7,2 bancos em 2018.

No crédito, o IHH recuou de 0,163 para 0,1532 entre 2018 e 2019. O número de bancos efetivamente competindo passou de 6,1 para 6,5.

Quando se considera o segmento bancário e não bancário, o IHH cedeu de 0,109 para 0,1071, passando de 9,2 instituições financeiras competindo no mercado para 9,3 instituições financeiras.

O BC diz que, tomando como referência padrões internacionais, todos os segmentos de instituições financeiras seriam classificados como não concentrados, exceto operações de crédito no segmento comercial.

“Essa redução de concentração ocorreu a despeito de, no período, ter havido sete atos de concentração envolvendo instituições financeiras”, diz o relatório, citando casos da XP e das operações de varejo do Citibank, ambos envolvendo o Itaú Unibanco.

Marcos Santos/USP Imagens