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Peso argentino cai, mas Banco Central diz ter aprendido com crise

(Arquivo) Foto mostra sede do Banco Central da Argentina, em Buenos Aires, em 17 de novembro de 2015

O peso argentino voltou a cair nesta quarta-feira (16) em relação ao dólar, perdendo 0,65% após a recuperação de terça-feira, embora o Banco Central tenha que entendeu "a mensagem do mercado".

A taxa de câmbio oficial foi 24,79 pesos por dólar, um dia depois de o Banco Central (BCRA) alertar para o risco de um colapso financeiro se os fundos e investidores continuassem a comprar dólares.

"Ficou evidente que o mercado não estava acreditando em nós", admitiu o governador da autoridade monetária, Federico Sturzenegger, em coletiva de imprensa.

Nas últimas semanas "houve uma mensagem do mercado para o Banco Central e para o Executivo que nos fez refletir e mudas algumas coisas", afirmou.

O BCRA emitiu nesta terça bônus milionários em pesos para que o dinheiro não fosse usado para a compra de moeda americana. Ainda foram vendidos 700 milhões das reservas, entre outros instrumentos.

A artilharia pesada do BCRA impediu que o peso caísse ainda mais.

Sturzenegger reconheceu que o mercado "não estava acreditando" no BCRA. Desde março, houve uma fuga de capitais, com as reservas caindo de 62 bilhões para 53 bilhões de dólares e a desvalorização acumulada de mais de 12% em maio.

Mas o alto funcionário ratificou "a taxa de câmbio flutuante" e a taxa básica de juros em 40%, a mais alta do mundo.

"Nós vivemos umas duas semanas com muita volatilidade, que tem a ver com fatores externos e também fatores internos", disse ele.

"É nossa obrigação interpretar a mensagem enviada pelo mercado", disse ele. Ele reafirmou, após ser questionado, que a meta de inflação anual permanece em 15%, apesar de o custo de vida já acumular quase 10% em quatro meses.

A crise foi desencadeada quando grandes bancos, financiadores e fundos de investimento pararam de emprestar para o governo. A inflação cresceu sem parar, com déficits em conta corrente e fiscais elevados, o que contribuiu para uma crise de confiança na política do presidente Mauricio Macri.

"Temos que trabalhar no núcleo da inflação", disse o governador. Esse é o valor que não leva em conta preços voláteis, como alimentos ou energia.