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Pescadores britânicos confiam em um acordo pós-brexit que os beneficie

Ben PERRY
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O capitão do barco de pesca Newhaven Neil Whitney (esq) e o marinheiro Nathan Harman (dir) classificam os peixes a bordo do barco de pesca Newhaven 'About Time' após a primeira rede de arrasto do dia, ao largo da costa sudeste da Inglaterra em 12 de outubro de 2020.
O capitão do barco de pesca Newhaven Neil Whitney (esq) e o marinheiro Nathan Harman (dir) classificam os peixes a bordo do barco de pesca Newhaven 'About Time' após a primeira rede de arrasto do dia, ao largo da costa sudeste da Inglaterra em 12 de outubro de 2020.

A bordo do "About Time", barco pesqueiro de nome agourento, Neil Whitney espera que Londres traga nas suas redes, por meio das negociações com a União Europeia, um acordo pós-Brexit favorável aos pescadores britânicos. 

"Queremos o controle de nossas águas territoriais, nossas cotas de pesca e temos que construir o futuro porque agora não temos nenhum controle", diz Whitney, um pescador que mora em Newhaven, no sul da Inglaterra. 

Uma cúpula europeia de quinta e sexta-feira em Bruxelas tentará romper o impasse nas negociações com Londres em busca de um acordo comercial pós-Brexit que se choca, entre outras armadilhas, com a delicada questão da pesca. 

Entre os 27 membros da UE, a França é o país com a postura mais dura em relação à pesca: na semana passada, seus pescadores avisaram que correriam o risco de falência se não pudessem continuar pescando nas ricas águas britânicas. 

A UE defende que os pescadores de seus países-membros mantenham o direito de acesso aos pesqueiros britânicos, como vem fazendo há séculos, mesmo após o período de transição pós-Brexit, que termina em 31 de dezembro. 

O governo de Boris Johnson, por sua vez, quer reduzir drasticamente esse acesso e exige a renegociação das cotas de pesca em suas águas a cada ano. 

"As negociações com a União Europeia estão chegando a um ponto crítico com uma grande cisão sobre a pesca", disse Barrie Deas, diretor-geral da Federação Nacional de Organizações de Pescadores (NFFO). 

Sem um acordo comercial pós-Brexit até o final do ano, não haveria mais acesso automático às águas territoriais de ambas as partes a partir de janeiro, diz a NFFO. 

Enquanto reivindica mais controle sobre as águas britânicas, Whitney admite que está "um pouco preocupado" com as possíveis restrições que poderiam ser impostas à venda de peixes capturados no Reino Unido no mercado europeu. "O mercado belga com que trabalhamos diz que ainda precisa do nosso peixe", afirma, tentando se tranquilizar. 

Embora a pesca pese menos de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) britânico, foi um dos principais argumentos a favor do Brexit no referendo de 2016 sobre a saída da União Europeia. 

É também uma questão politicamente sensível para o governo Johnson, cujo Partido Conservador prevaleceu nas cidades costeiras nas eleições gerais de dezembro de 2019.

Ao mesmo tempo, um rompimento brutal sem acordo poderia fortalecer a causa pró-independência na Escócia altamente pró-europeia, de onde vem quase metade de todos os peixes pescados no Reino Unido.

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