Mercado fechará em 4 h 54 min

Peru reabre shoppings para salvar sua economia gravemente afetada pela pandemia

Por Luis Jaime CISNEROS
Clientes usam as escadas rolantes - marcadas para manter distância física - em um shopping center de Lima em 22 de junho de 2020, em meio à pandemia de COVID-19.

O Peru iniciou a reabertura dos shoppings nesta segunda-feira (22), quando o país completa 99 dias de confinamento, apesar do número crescente de casos de COVID-19.

Os clientes devem usar máscaras, medir a temperatura antes de entrar e manter o distanciamento físico. O acesso é limitado a 50% e as lojas devem fornecer álcool para os visitantes.

É proibida a entrada de menores e a abertura dos cinemas. Bares e restaurantes só funcionam com entrega em domicílio.

- "Foi necessário" -

Centenas de pessoas visitaram os grandes shoppings de Lima, mas em outros lugares o fluxo foi baixo.

No Real Plaza Salaverry, um painel indicava o número de pessoas em tempo real. Duas horas após a abertura, havia apenas 9% das 10.247 autorizadas.

"Foi necessário", disseram vários clientes à AFP.

No Larco Mar, em Miraflores, era possível contar o número de visitantes nos dedos.

Salões de beleza também estão autorizados a reabrir.

Em Lima, o empório têxtil Gamarra retomou as atividades no populoso distrito de La Victoria.

A capital, onde vive um terço dos 33 milhões de peruanos, registra 70% dos casos de COVID-19.

- Economia em queda -

A economia peruana caiu 13,1% nos quatro primeiros meses de 2020 e 2,63% nos últimos 12 meses.

A queda anual de 40,49% no PIB em abril reflete o colapso econômico.

O confinamento, iniciado em março, deixou dois milhões de desempregados, segundo o Ministério da Economia.

Entre março e junho, a economia ficou semi-paralisada, com 44% de sua capacidade.

O comércio não essencial foi desativados, um toque de recolher noturno foi decretado e as fronteiras fechadas por 13 semanas.


- Risco de contágios -

Nos hospitais públicos, havia 10.566 pacientes com COVID-19 no domingo.

O sistema de saúde beira o colapso com falta de oxigênio para tratar pacientes graves.

Até o momento, em junho, o Peru sofreu uma média diária de mais de 4.000 infecções, número menor do que o de maio.

Seis dos 25 departamentos não reabriram seus shoppings devido ao alto índice de contágios nessas regiões.

Os mortos pela doença totalizaram 8.045 no domingo, com 184 óbitos a mais nas últimas 24 horas. O número de casos chegou a 254.936, com 3.598 novas infecções.

O Peru é o segundo mais atingido em número de casos na América Latina, atrás do Brasil, e o terceiro em mortes.