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Perseverance | Conheça o principal instrumento na busca de vida em Marte

Daniele Cavalcante
·3 minutos de leitura

Enquanto a missão Perseverance segue rumo ao Planeta Vermelho, com previsão de pousar na cratera Jezero em fevereiro de 2021, podemos conhecer um pouco mais sobre os instrumentos a bordo do rover. A NASA explicou um pouco mais sobre um equipamento crítico para a missão: o espectrômetro de fluorescência de raios-X, importantíssimo para quase todas as naves que vão a Marte.

Só que, no caso do Perseverance, essa ferramenta é especial. Batizado de PIXL, este espectrômetro tem como novidade a capacidade de escanear rochas usando um poderoso feixe de raios X ajustado para descobrir onde os elementos químicos estão presentes na superfície. Ele também é capaz de saber a quantidade desses mesmos elementos nos lugares para onde apontar.

Simulação do rover Perseverance usando o espectrômetro de raios-X em uma rocha (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)
Simulação do rover Perseverance usando o espectrômetro de raios-X em uma rocha (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Esse instrumento será essencial para a missão, já que ele será usado para buscar por sinais de vida microscópica que talvez tenha existido ali bilhões de anos atrás. Além dessas capacidades, o equipamento é alimentado por inteligência artificial que ajudará o PIXL a encontrar os melhores alvos.

Para nos dar uma noção de como o PIXL é especial, a pesquisadora Abigail Allwood, da NASA, disse que ele é capaz de encontrar coisas “tão pequenas quanto um grão de sal”. Isso ajudará a equipe da missão a “vincular com muita precisão os produtos químicos que detectamos a texturas específicas em uma rocha”, o que será muito importante para decidir quais amostras valem a pena trazer à Terra. É que através da textura será possível determinar se as rochas têm camadas antigas de argila capazes de proteger sinais de vidas microscópicas.

Além disso, o PIXL conta com um dispositivo chamado hexapod, formado por seis pernas mecânicas para conectá-lo a um braço robótico guiado por inteligência artificial. Quando o software escolher um alvo interessante, ele fará com que o braço do rover fique perto da rocha selecionada e indicará ao PIXL o momento de usar sua câmera e seus feixes de laser para calcular a distância. Depois, as perninhas fazem pequenos milimétricos para que o dispositivo consiga escanear o alvo corretamente.

Detalhe do PIXL (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)
Detalhe do PIXL (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Com isso, o PIXL poderá mapear os produtos químicos presentes na rocha escolhida. Ele é tão sensível que será capaz de fazer isso em uma área do tamanho de uma moeda, analisando pedacinho por pedacinho. O instrumento analisará o material com feixes apontados para um único ponto da rocha durante 10 segundos, e se inclinará 100 mícrons (0,1 milímetro) para fazer outra medição. Isso se repetirá algumas milhares de vezes durante oito ou nove horas até que o mapa da região do tamanho de uma moeda esteja pronto.

Tudo isso terá que ser feito depois que o Sol se por. É que o processo é tão demorado que o calor pode prejudicar o braço mecânico do PIXL, então ele deve trabalhar à noite. Se você imagina que o escuro será outro obstáculo, está correto. Por isso, a NASA equipou o instrumento com diodos de luz que circulam sua abertura para capturar as imagens dos alvos rochosos no escuro.

Fonte: Canaltech

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