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Pergunta que não quer calar: Por que o céu de Gotham foi roxo por tanto tempo?

Claudio Yuge

Quem acompanha as revistas do Batman há anos já deve ter notado que os céus de Gotham City têm um aspecto incomum: há décadas, eles são sempre caracterizados com a cor roxa e outras tonalidades semelhantes. Tudo bem que isso ajuda a manter o tom soturno da metrópole, que também já sofreu bastante com intervenções químicas, mas quais seriam os reais motivos para essa aparência?

Recentemente, um leitor, identificado por Javier M., fez essa pergunta ao site Comic Book Resources: "Estava lendo Brave and the Bold #195 e notei que os céus eram roxos/rosa. Então, percebi que os céus eram assim em muitos quadrinhos do Batman dos anos 80 e não tenho certeza se era algo que Adrienne Roy (colorista da revista na época) costumava fazer ou se era algo baseado em limitações de impressão (talvez o céu preto não estivesse claro o suficiente para ter um Batman sombreado em contraste?). Você pode fazer um post sobre a origem do céu roxo?"

O pedido foi atendido. Bem, antes de mais nada, é preciso mostrar como isso acontecia. Esse é primeiro trabalho de Adrienne, de Batman Family #17, publicado no final dos anos 70.

Imagem: Reprodução/DC Comics

A partir daí, ela passou a trabalhar como assistente no título mensal Batman e continuou aplicando a mesma cor.

Imagem: Reprodução/DC Comics

Mais tarde, já nos anos 80, Adrienne se tornou a principal colorista das principais revistas da linha do Homem-Morcego.

Imagem: Reprodução/DC Comics

Richmond Lewis, esposa do premiado escritor e desenhista David Mazzucchelli, chegou a mudar um pouco esse esquema no arco Batman: Ano Um. Mas aí Adrienne, que tinha dado uma pausa depois de produzir Batman #400, retornou ao título após a fase de Richmond, publicada entre os números 404 e 407.

Imagem: Reprodução/DC Comics

Em Batman #500, já nos anos 90, durante a saga da queda do Cavaleiro das Trevas e o novo Batman de Azrael, Adrienne seguiu colorindo o céu de roxo.

Imagem: Reprodução/DC Comics

Ela só saiu da principal revista do Homem-Morcego em Batman #518, completando nada menos do que quase 200 edições no comando das cores do título — o que, claro, deixou essa impressão de que se tratava de alguma diretriz editorial ou identidade visual. Infelizmente, ela morreu de câncer, em dezembro de 2010.

Imagem: Reprodução/DC Comics

Editor explica

Quando entrou em contato com os editores de Batman, o pessoal do CBR ouviu de Jordan Gorfinkel esta explicação: “Até o início da coloração de quadrinhos por computador, esse trabalho tinha uma limitação de gradações de 25% e 10%. A limitação significava que havia muito poucas cores que poderiam contrastar com as cores primárias dos figurinos dos personagens. O cinza-púrpura era a cor neutra para os fundos”.

“Agora que você sabe, verá isso por toda parte. Eu chamo de ‘a cor que você usa quando não sabe qual cor usar’. Hoje, se você a usa, na minha opinião, significa que o colorista precisa repensar o trabalho dele. Na verdade, você pode perguntar aos coloristas com quem trabalho e eles dirão que tenho uma aversão a essa cor e me recuso a usá-la no meu trabalho”, complementou.

Bem, explicado! Assim como Javier já suspeitava, essa tonalidade era aplicada mesmo para facilitar o trabalho de cores no destaque do personagem, assim como para melhorar o resultado na impressão.

Fonte: Canaltech

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