Mercado abrirá em 3 h 56 min

'Pergunta o que é PIB', diz Bolsonaro a humorista fantasiado de presidente

GUSTAVO URIBE
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 20.02.2020 - Bolsonaro durante lançamento do programa Crédito Imobiliário. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O presidente Jair Bolsonaro ironizou o aumento de 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) no ano passado, resultado que representa o terceiro ano seguido de crescimento fraco da economia brasileira. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (4) pelo IBGE.

Na entrada do Palácio da Alvorada, onde cumprimentou um grupo de apoiadores, ele foi perguntado pelos jornalistas sobre o PIB.

O presidente não quis comentar e pediu para que um humorista, que o acompanhava na porta da residência oficial, respondesse aos veículos de imprensa.

"PIB? PIB? O que que é PIB? Pergunta o que que é PIB", disse Bolsonaro ao comediante Márvio Lúcio dos Santos Lourenço, da TV Record.

Os jornalistas presentes insistiram na pergunta, mas o presidente se negou a responder e, minutos depois, deixou o local.

Em 2017 e em 2018, a primeira divulgação do PIB mostrou expansão de 1,1%. Posteriormente, os dados foram revisados para 1,3%. Em 2015 e 2016, houve queda no PIB.

No fim de 2019, economistas previam PIB de 1,17% segundo o Boletim Focus, mas essa projeção havia caído levemente para 1,12% no relatório mais recente. Mas, no início da gestão Bolsonaro, a projeção do mercado era de uma alta de 2,55%. 

Integrantes da equipe econômica chegaram a trabalhar com a perspectiva de crescimento de 3% em 2019, considerando o andamento das reformas, em particular o avanço da reforma da Previdência. Mas recentemente também reduziu a projeção, ficando em linha com o mercado.

Conforme o jornal Folha de S.Paulo mostrou recentemente, diante de um pessimismo com a redução da projeção do PIB, o presidente reforçou a Guedes a necessidade de que, neste ano, a atividade econômica cresça, no mínimo, 2%. 

Como resposta, o ministro afirmou que será possível atingir, ou até superar, o percentual. No entanto, a resposta não tranquilizou o presidente.

Nesta quarta-feira, o presidente ofereceu a estrutura oficial da Presidência da República para que o humorista fizesse uma performance na entrada da residência oficial, com ofensas aos jornalistas presentes.

O comediante desceu de um carro que acompanhava a comitiva presidencial fantasiado de Bolsonaro.

Com um cacho de bananas, ele ofereceu a fruta para os profissionais da imprensa. Diante do gesto, os jornalistas presentes se retiraram da encenação.

A atitude foi uma referência ao fato de o presidente ter cruzado os braços com as mãos fechadas, dando uma banana para os jornalistas, no mês passado, quando se irritou com a cobertura da imprensa.

A performance foi transmitida ao vivo pela Presidência da República, nas redes sociais do presidente. O chefe da Secom (Secretaria Especial de Comunicação), Fabio Wajngarten, estava junto com o humorista no carro da comitiva. Ele riu da performance.

Em fevereiro, a Polícia Federal abriu inquérito contra Wajngarten para investigar supostas práticas de corrupção passiva, peculato (desvio de recursos por agente público) e advocacia administrativa (patrocínio de interesses privados na administração pública).

Em janeiro, a Folha de S.Paulo noticiou que Wajngarten é sócio de uma empresa, a FW Comunicação, que recebe dinheiro de emissoras de televisão, entre elas a Record, que são contratadas pela própria Secom.

Um levantamento promovido pela Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) apontou que, no ano passado, o presidente foi o responsável por 121 dos 208 ataques contra veículos de comunicação e jornalistas compilados no Brasil.

Ainda segundo a entidade dos jornalistas, o Brasil registrou em 2019 um aumento de 54% nesse tipo de ataque físico ou moral contra profissionais ou veículos de comunicação na comparação com 2018, quando foram anotados 135 casos.