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Perfil genético pode determinar como um paciente reage à COVID-19

·3 minuto de leitura

Uma pesquisa realizada por professores da Escola de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), em colaboração com a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e com as Faculdades Pequeno Príncipe, revela que o perfil genético de pacientes com a COVID-19 pode influenciar no desenvolvimento da doença.

Os estudos foram feitos no Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba, com 20 pacientes que vieram a óbito pela doença entre os meses de abril e setembro de 2020, além de outras 10 pessoas que morreram devido à infecção pelo H1N1. A coleta aconteceu com autorização das famílias e através do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa, o Conep.

As amostras das vítimas foram comparadas com as de outros 10 pacientes, estes dentro de um grupo controle e que não morreram devido a problemas respiratórios. Lúcia de Noronha, professora da Escola de Medicina da PUCPR, conta que estudou uma proteína chamada interleucina 17 (IL-17), que conta com uma ação antiviral já conhecida, sendo o foco de diversos estudos já publicados.

A médica conta que já desconfiava da relação da doença com o perfil genético, citando exemplos de pessoas de uma mesma família em que alguns pegaram a COVID-19 e outras não, além de algumas serem assintomáticas ou terem a forma leve da doença. "A gente já desconfiava de situações como essa, de pessoas que ficam junto a pessoas com COVID e não pegam, fazem a forma assintomática, e outras fazem a forma grave", exemplifica. O estudo explica que o polimorfismo produz uma proteína diferente, que pode ser mais frágil, pouco funcional, ou ainda ter maior ou menor quantidade.

<em>Imagem: Reprodução/ktsimage/Envato</em>
Imagem: Reprodução/ktsimage/Envato

Noronha diz ainda ter observado que, algumas vezes, uma família inteira pega a doença, o que indica a suscetibilidade para um padrão genético. Os cientistas executaram um processo chamado genotipagem por polimorfismos, avaliando pontos específicos dentro do gene que possam existir no organismo de algumas pessoas e no de outras não. "A surpresa foi que todos os 20 pacientes da COVID-19 tinham um tipo de polimorfismo que não aparecia nem no H1N1, nem no grupo controle. Isso pode estar mostrando que o polimorfismo pode estar deixando a pessoa mais suscetível à forma mais grave da doença", completa a médica.

A professora diz que a testagem genética poderia ajudar a descobrir quem são as pessoas mais suscetíveis a desenvolver uma forma agravada da doença, uma vez que até pessoas mais jovens e sem comorbidades estão se tornando vítimas da COVID-19. "É o fator genético. Isso ajudaria na proteção aos suscetíveis. Conseguir entender que além da comorbidade, mais um grupo da população poderia ter mais chance de desenvolver a doença em sua forma mais grave", conta.

<em>Imagem: Reprodução/halfpoint/envato</em>
Imagem: Reprodução/halfpoint/envato

Um teste simples, que faz a coleta apenas da saliva, já seria o suficiente para descobrir essa suscetibilidade, mas o problema de realizar uma testagem em massa, no entanto, é que testes genéticos são caros, custando cerca de R$ 1 mil. Além disso, os pesquisadores ainda precisam estudar outros genes por acreditarem que não é somente a interleucina 17 que influencia na gravidade da COVID-19. Atualmente, os cientistas vêm fazendo a genotipagem de outros tipos de interleucina, como a 4 e a 6.

O estudo completo foi publicado na revista científica Frontiers in Immunology e pode ser acessado online.

Fonte: Canaltech

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