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Perdoar é um exercício de liberdade (e essencial para a carreira)

Foto: Getty Images

Por Eliete Oliveira*

Todos os dias lido com pessoas com profundos problemas emocionais em razão de situações vividas no trabalho. Pessoas que estão em transição profissional e sofreram assédio moral, que estão apresentando sintomas de depressão, síndrome do pânico, ansiedade generalizada e outras situações que muitas vezes acabam afetando a saúde física também.

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Em todos os casos, procuro oferecer algumas orientações e direciona-los a um psicólogo, pois meu trabalho é de consultoria. Porém, uma coisa tenho percebido muito claramente: muitas vezes não conseguimos trabalhar o perdão e isso pode trazer muitas consequências para a saúde física e emocional.

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Não que isso seja um processo fácil. Na verdade, pode demorar muito tempo e muitas vezes precisa ter o acompanhamento de um profissional. Eu mesma tive que trabalhar isso em mim diversas vezes durante minha vida e nunca foi algo simples.

Primeiro porque temos uma ideia errada sobre o que é perdoar. Pensamos que o perdão significa aceitar tudo o que as pessoas fazem conosco. Quando perdoamos, a pessoa perdoada não passa a ter uma aura de bondade, aquelas atitudes não passam a ser corretas e necessariamente isso não faz do outro seu amigo.

Imagine uma situação em que alguém matou um filho seu. A pessoa precisa ser muito desprendida espiritualmente para conseguir ter amizade com alguém que faz isso. Você pode, sim, até procurar entender as motivações, mas a intenção deste texto não é fazer de você um Gandhi ou a Madre Teresa de Calcutá. O propósito aqui é fazer com que você acabe com um sentimento que mina a sua vida e muitas vezes te impede de fechar o livro do passado e começar um novo ciclo.

Por isso, deixo claro que meu conceito de perdão não é do ponto de vista religioso. Para mim, perdoar é um processo subjetivo. Aliás, em muitos casos a outra pessoa está vivendo sua vida indiferente a toda essa briga interior. Mas, você está acorrentado a ela, através de sentimentos que fazem sofrer.

Muitas vezes também, pensamos que perdoar é esquecer, o que não é verdade, pois, se você ignorar, provavelmente irá cometer os mesmos erros e tudo na vida é um aprendizado que precisa ser assimilado.

Perdão é, antes de qualquer coisa:

  • Parar de remoer os porquês, principalmente os do outro, que não dizem respeito a nós.

  • Entender que não temos o poder de mudar as pessoas, elas só mudam se elas quiserem e isso não é nossa responsabilidade.

  • Acabar com um ciclo de violência, que tem início com o sentimento de vingança.

  • Aceitar que o que ficou no passado não pode ser mudado, independentemente de todo o sofrimento que possa ter causado.

Perdão é fechar ciclos

Todos vivemos fases, no trabalho, com nossos amigos, com pessoas da nossa família, nos relacionamentos afetivos. Tudo tem começo, meio e fim. Às vezes, algumas situações mal resolvidas não fecham o ciclo e tendemos a levar isso para outros relacionamentos.

Vivemos isso no trabalho também, com colegas ou chefes em situações difíceis. A nossa vida é como corredor cheio de portas e cada uma representa uma fase que em determinado momento precisa ser fechada.

Para exercitar o perdão é necessário entrar, sentir, vivenciar, entender, perdoar e fechá-la. Algumas portas demandam mais tempo que outras. Eu já tive algumas muito difíceis de serem fechadas, que pensei que nunca conseguiria. No final, entendi que toda essa mágoa, só teve uma única prejudicada: eu.

Perdoar, é lembrar de todas as situações vividas e não sentir mais dor e sofrimento. Somente neste momento é que você entenderá que perdoou verdadeiramente.

Perdoar é um exercício de liberdade.

*Eliete Oliveira é consultora de recolocação profissional e Top Voice do LinkedIn. No Yahoo Finanças, ela fala sobre carreira e os dilemas do mundo corporativo.