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Perda do emprego é preocupação de seis em cada 10 brasileiros; veja como lidar com a incerteza e se recolocar

Letycia Cardoso Patricia Valle
·4 minuto de leitura
A média global de preocupação de todas as nações avaliadas foi de 54%, nove pontos abaixo do resultado do Brasil.
A média global de preocupação de todas as nações avaliadas foi de 54%, nove pontos abaixo do resultado do Brasil.

Seis em cada dez brasileiros estão preocupados com a perda de seu emprego nos próximos 12 meses. É o que mostrou uma pesquisa do instituto Ipsos para o Fórum Econômico Mundial, que abordou profissionais em 27 países.

O levantamento mostrou que o índice de preocupação com o emprego do brasileiro é de 63%, sendo que 32% dos respondentes locais estão “muito preocupados” e 31% estão “um pouco preocupados”. Considerando somente os que declararam estar “muitos preocupados”, o Brasil está entre os 3 primeiros países do ranking.

A média global de preocupação de todas as nações avaliadas foi de 54%, nove pontos abaixo do resultado do Brasil. Os países onde as populações mais temem perder o emprego são: Rússia (75%), Espanha (73%), Malásia (71%), México (68%) e Peru (68%). Por outro lado, na Alemanha (26%), Suécia (30%), Holanda (36%), Estados Unidos (36%) e Bélgica (37%), as pessoas se preocupam menos.

O medo de perder o emprego vem de diversos lados. A própria crise que afeta financeiramente as empresas, perca de produtividade, mudança de regime de trabalho entre outros. O funcionário precisa estar atento e não se deixar levar pela insegurança.

— Disciplina, otimização do tempo e automotivação, são indispensáveis para quem quer manter o seu emprego trabalhando em home office. E com crise, fazer o mínimo ou apenas a sua obrigação base pode levar a empresa a substituir o colaborador por alguém mais completo ou mais motivado a fazer além do seu trabalho e ainda surpreender com algo mais.Torne-se diferente, faça a mais e você irá manter o seu emprego neste momento — afirma Cláudio Riccioppo especialista em gestão de carreira e presidente da Employability.

Para presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos do Rio de Janeiro (ABRH-RJ), Lucia Madeira, é preciso se mostrar útil para a empresa na crise:

— É um momento em que as empresas, para superar as dificuldades econômicas estão buscando equilibrar o custo/benefício de cada funcionário, valorizando os mais comprometidos e engajados. É hora de ajudar a empresa a se reerguer, buscar atualização e cooperar com os colegas. Quem tem foco no cliente, é engajado e trata a todos com educação e cortesia se torna mais indispensável.

Apesar do receio da perda do emprego, a grande maioria dos entrevistados brasileiros afirma que sua posição profissional atual permite o desenvolvimento de habilidades e competências para os trabalhos do futuro. A pesquisa também mostrou que 79% dos respondentes no Brasil dizem aprender com as funções que desempenham em seu emprego hoje. Eles se mostram mais otimistas que a média global; somente 67% dos respondentes globais confiam na sua habilidade de apreender e desenvolver as competências necessárias para o emprego do futuro.

A Espanha (86%), o Peru (84%), o México (83%), a Arábia Saudita (80%) e a Índia (80%) foram as nações com os índices mais altos na pesquisa. Ao fim do ranking, estão Japão (45%), Suécia (46%), Rússia (48%), Polônia (53%) e China (53%). A pesquisa on-line foi realizada com 12.430 pessoas – sendo 685 brasileiros – de 16 a 74 anos, entre os dias 25 de setembro e 09 de outubro de 2020. A margem de erro para o Brasil é de +/- 3,75 pontos percentuais.

Para quem está buscando uma recolocação é importante buscar se qualificar, buscar cursos para melhorar o currículo.

— A pergunta quem devem se fazer é “o que aprendi durante a pandemia”. Tem muitos cursos gratuitos de baixo custo que podem ser feitos online. Principalmente as ferramentas de tecnologia e melhorar o uso do português, fundamental nas comunicações atualmente. Ler mais é um bom caminho para isso — afirma Lucia Madeira.

E quando surgir uma oportunidade é importante preparar o currículo cuidadosamente para cada vaga. E não disparar o mesmo currículo para todo mundo.

— É de suma importância que o profissional que está em busca de oportunidades no mercado tenha tempo e cuidado para desenhar suas experiências e habilidades paralelamente as necessidades da empresa, ou seja, entendendo os pré-requisitos do anúncio da vaga de emprego e se colocando como solução para aquela demanda. O recrutador receber milhares de currículos e precisa identificar facilmente que encontrou o que está procurando para — afirma Cláudio Riccioppo .

Os especialistas também recomendam usar palavras chave para que os sistemas de busca de currículos da internet, que fazem a captura do seu conteúdo através de processo de indexação destas palavras, te encontrem. Isso leva a pessoa a ficar na frente dos demais candidatos e aumentando as suas chances de ser pelo menos lido pelo recrutador.