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Percepção negativa sobre o mercado de trabalho continua, diz FGV

Alessandra Saraiva
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O Indicador Antecedente de Emprego subiu 7,2 pontos em setembro EBC Dois indicadores de mercado de trabalho referentes a setembro, anunciados nesta quarta-feira pela Fundação Getulio Vargas (FGV), acendem o sinal amarelo para o emprego no país nos próximos meses. A observação partiu do economista da FGV Rodolpho Tobler, ao comentar a evolução do Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp), e do Indicador Coincidente de Desemprego (ICD). O IAEmp subiu 7,2 pontos entre agosto e setembro, para 82 pontos, enquanto o ICD manteve-se em 96,4 pontos no período. Embora os índices não tenham apresentado piora em setembro, pontuou Tobler, o IAEmp subiu menos do que em meses anteriores; e o ICD manteve-se estável em patamar muito elevado, alertou ele. Na prática, com perspectiva de fim de auxílios emergenciais do governo e provável aumento no número de pessoas em busca de trabalho, a perspectiva do especialista é que os próximos resultados dos indicadores sejam mais negativos, afirmou o técnico. Ao falar sobre como foi o movimento de vagas durante a pandemia, Tobler comentou que os mais recentes dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostraram saldo negativo de um milhão de vagas entre fevereiro e agosto - um retrato do estrago que a crise causada por covid-19 fez no mercado de trabalho, notou ele. "Podemos ver que o emprego tem caminho muito longo para recuperação. Há uma cautela por parte dos empresários em contratar", observou. No caso do desemprego, até setembro, o indicador da FGV registrou três quedas mensais consecutivas. O economista da FGV reiterou que a manutenção do ICD em patamar considerado elevado em setembro não é uma notícia positiva. "A percepção dos consumidores é de que o mercado de trabalho ainda se encontra com muitas dificuldades, apesar da flexibilização em atividades da economia" disse, citando as ações de maior abertura em algumas atividades econômicas, nos últimos dois meses, após as restrições levantadas em março, para inibir contaminação por covid-19. E a flexibilização pode operar como um fator a pressionar para cima o desemprego, nos próximos meses, acrescentou. Além do corte pela metade do valor do auxílio emergencial até dezembro - o que estimula maior procura por trabalho, para compor renda -, um número maior de pessoas começa a voltar a procurar vagas com a flexibilização, lembrou Tobler. "Na crise, as empresas não têm condição de absorver todas as pessoas que estão em busca de emprego", afirmou ele. Para o técnico, os indicadores de setembro até mostram mercado de trabalho menos ruim, quando comparado aos meses anteriores, que tiveram efeitos mais agudos da crise econômica causada pela pandemia. Mas, na prática, os sinais até o momento são de que esse quadro menos ruim não tem sustentabilidade, observou ele. "É difícil imaginar quando teremos um patamar de emprego igual ao que era antes de pandemia", finalizou.