Mercado fechado

Como Pequim combate o surto de COVID-19?

Por Laurie CHEN
Funcionário do aeroporto internacional de Pequim, aguarda para medir temperatura em 17 de junho de 2020

Voos cancelados, escolas fechadas e um apelo aos moradores para que não saiam de Pequim: a capital chinesa luta nesta quarta-feira (17) para conter o contágio após um aumento de casos de COVID-19 em cinco dias.

Com 21 milhões de habitantes, a capital registra 100 infectados por coronavírus, após dois meses sem casos.

Como o vírus foi capaz de despertar em Pequim, objeto de uma vigilância particular, devido ao seu status de sede do governo comunista? Quais medidas são tomadas para conter a pandemia?

- Origem desconhecida -

No início do ano, no auge da epidemia, Pequim parecia uma fortaleza rodeada por uma Grande Muralha sanitária. Quem chegava do exterior era sistematicamente colocado em quarentena.

Como resultado, segundo dados oficiais, a COVID-19 afetou apenas 597 pessoas na cidade, com nove mortes.

Essas medidas foram levantadas em maio, e somente os voos internacionais continuaram suspensos no aeroporto de Pequim, para evitar as chamadas contaminações "importadas".

A detecção de um novo caso, na semana passada, reacendeu o temor de uma nova onda de coronavírus.

Dezenas de pessoas que trabalham, ou frequentam, o mercado atacadista em Xinfadi (sul de Pequim) testaram positivo.

Este estabelecimento gigantesco, principal fonte de abastecimento de produtos frescos para a metrópole, recebeu cerca de 200.000 pessoas desde 30 de maio, segundo as autoridades.

A fonte do surto continua, porém, sendo um mistério.

- Qual o plano de combate? -

Símbolo do atual "reconfinamento" brusco em Pequim, as escolas, que em sua maioria haviam reaberto, fecharam nesta quarta-feira, assim como os ginásios.

Bares, restaurantes e comércios também devem fechar de novo, ou impor restrições a seus clientes, como verificar a temperatura, ou limitar a quantidade de pessoas nas mesas e as reservas.

Onze mercados da cidade foram fechados total, ou parcialmente, e uma operação de desinfecção está sendo feita nos restaurantes da capital.

Uma ampla campanha de detecção foi lançada. Desde sábado, aproximadamente 356.000 pessoas foram testadas, afirmaram as autoridades.

Na noite de ontem, Pequim pediu aos habitantes que evitem deslocamentos "não essenciais" fora da cidade e proibiu a saída de moradores de áreas afetadas.

Os viajantes com justificativas autorizadas devem apresentar um certificado de teste negativo para COVID-19, feito na última semana.

Muitas cidades e províncias impuseram quarentena aos viajantes de Pequim.

A capital se lança, assim, em uma "corrida contra o tempo" para conter o coronavírus, afirmou neste quarta um porta-voz da cidade, Xu Hejian.

As autoridades "elevaram o nível de risco epidêmico em determinadas ruas e bairros, mas não em toda cidade", destacou o professor de Sociologia Lu Jiehua, da Universidade de Pequim.

"De certo modo, isso ajuda a apaziguar as preocupações", afirmou.