Mercado fechado

Pequenos frigoríficos dos EUA têm caminho caro para expansão

Jen Skerritt, Deena Shanker e Michael Hirtzer

(Bloomberg) -- Quando surtos de coronavírus obrigaram o fechamento das gigantescas processadoras de carne dos Estados Unidos, rapidamente criaram um gargalo: pecuaristas não tinham para onde vender os animais, enquanto consumidores enfrentavam escassez e aumento dos preços. Novas unidades de abate de pequeno porte podem ser o antídoto para a concentração do setor, mas não é uma solução rápida.

A abertura de um frigorífico enfrenta muitos obstáculos. As instalações - onde os animais são abatidos, cortados e embalados para o consumidor - nem sempre são bem-vindas por moradores. E pode haver outros desafios para encontrar o local certo.

É preciso haver gado suficiente produzido nas proximidades e fácil acesso às rotas de caminhões, disse Jeremy Robinson, que em março abriu uma das mais novas unidades de abate de carne bovina do país em Lone Jack, Missouri. Ele também teve dificuldade em encontrar trabalhadores em uma área onde poucos tinham experiência anterior.

“O treinamento foi intenso”, disse.

Além disso, existem regulamentos locais, estaduais e federais para zoneamento e construção. Mesmo a compra de uma unidade desativada com um plano de reabri-la vem com uma série de dores de cabeça. Unidades de abate antigas geralmente ficam desativadas por anos, portanto, são necessárias licenças atualizadas. E a unidade deve ser reformada e equipada com novos equipamentos.

Todo o processo pode levar anos e é caro, disse Robinson, sócio-gerente da Republic Foods.

“Em um mercado normal, ao abrir um frigorífico para 300 a 400 bovinos por dia, você precisa perder US$ 4 milhões para obter rentabilidade”, disse.

A pandemia revelou como o sistema de produzir carne barata nos EUA é vulnerável a problemas. Os surtos de Covid-19 afetaram milhares de trabalhadores, enquanto paralisações de frigoríficos deixaram as prateleiras dos supermercados vazias. Reguladores e legisladores federais decidiram investigar a concentração do setor. Mas resta ver com que rapidez a cadeia de suprimentos pode mudar - e se os consumidores estão dispostos a pagar mais pela proteína produzida em economias de escala menores.

O setor de carnes é dominado por alguns titãs. Tyson Foods e suas duas principais rivais, JBS e Cargill, controlam cerca de dois terços da carne bovina dos EUA. O quadro é semelhante para a carne de porco e aves.

Enquanto os maiores frigoríficos de carne bovina dos EUA podem processar mais de 5 mil animais por dia, Robinson, da Republic Foods, diz que o ponto ideal está perto de 500 a mil cabeças. Isso garantiria um mercado justo para produtores locais, uma força de trabalho que não ficaria sobrecarregada e que restaurantes e supermercados próximos recebessem carne fresca, disse.

Há um movimento para incentivar a entrada de frigoríficos menores no mercado.

O Congresso dos EUA estuda alterar a Lei Federal de Inspeção de Carnes e a Lei de Inspeção de Produtos de Aves para facilitar a venda de produtos de processadores de menor porte.

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