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Pelo ritmo atual, PIB per capita levará 18 anos para atingir nível pré-crise

Bruno Villas Bôas

Segundo cálculos da FGV, indicador cresceu 0,4% no terceiro trimestre Mesmo com o ganho de tração da atividade no terceiro trimestre, a jornada de recuperação da economia aos níveis pré-recessivos permanece longa. De acordo com cálculos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), o PIB per capita — medida do PIB pela população — cresceu 0,4% no terceiro trimestre deste ano, frente aos três meses anteriores, feitos os ajustes sazonais.

Mantido esse ritmo de recuperação, o PIB per capita voltará ao nível pré-recessão (registrado no primeiro trimestre de 2014) apenas em 2037 — ou seja, daqui a longos 18 anos.

Esse tempo de recuperação poderá, contudo, ser reduzido para apenas seis anos se a economia acelerar como previsto no ano que vem. Economistas projetam no boletim Focus, do Banco Central, alta de 2,2% do PIB em 2020. Se confirmado, o PIB per capita crescerá 1,3%.

“A atividade econômica, ao que tudo indica, deve realmente ganhar mais ritmo daqui para frente, o que vai acelerar essa recuperação do PIB per capita. É algo que ainda é uma hipótese, o que vai acontecer com redução da incerteza”, disse Juliana Trece, economista do Ibre/FGV.

Como as projeções de crescimento econômico têm sido frustrada nos últimos anos, a pesquisadora também calculou um cenário intermediário, que repete o desempenho da atividade em 2017 e 2018, quando o PIB cresceu 1,3% ao ano. Nesse quadro, o PIB per capita avançaria 0,5% ao ano e levaria mais 15 anos para atingir o nível pré-recessivo.

O Brasil passou por uma grande recessão de segundo trimestre de 2014 ao quarto trimestre de 2016. O PIB per capita recuou 10,2% nesse período.

Segundo a economista, trata-se de uma das maiores recessões da história brasileira e também uma das recuperações mais lentas.

“Nunca vimos uma retomada tão lenta da economia, nem nos anos 80, quando o país entrou em recessão mais de uma vez”, disse Trece.

O PIB per capita do terceiro trimestre deste ano foi de R$ 8.785 — algo como R$ 35 mil anualizado. No pico da série com ajuste sazonal, o valor era de R$ 9.525 no terceiro trimestre de 2013. Essa riqueza, é claro, não é igualmente distribuída pela população, característica que se acentuou na crise.

Frente ao mesmo período de 2018, o PIB per capita cresce 0,4%. No acumulado de quatro trimestres, a alta é de apenas 0,2%. O PIB per capita é medido pela divisão do valor do PIB pela população total, que cresce atualmente num ritmo médio de 0,8% ao ano.

Trece lembra que a população vai crescer mais lentamente nos próximos anos. Esse ritmo de aumento populacional deverá encolher para 0,7% em 2021 e 0,6% em 2024. Se o denominador (a população) será menor, o avanço mais lento da população também estimula menos a economia.

“Fica cada vez mais difícil de crescer, porque temos um avanço cada vez menor da força de trabalho, que é a população economicamente ativa. Em algum momento outros países já enfrentam esse tipo de problema”, disse a pesquisadora.