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Pela primeira vez, transfusão com sangue de laboratório é feita em humanos

Pela primeira vez na história, um paciente recebeu glóbulos vermelhos cultivados em laboratório por transfusão de sangue. O teste foi realizado no Reino Unido, iniciativa do Serviço Nacional de Saúde (NHS, que inspirou o SUS, no Brasil) em conjunto com pesquisadores da Universidade de Bristol.

Para fazer os glóbulos em laboratório, foram utilizadas células-tronco de doadores, retiradas e programadas para formarem as células sanguíneas necessárias. O resultado foi, então, transfusado para voluntários saudáveis. O estudo buscou, especificamente, estudar o tempo de vida das células laboratoriais em comparação com os glóbulos vermelhos naturais dos doadores.

O experimento procura ver a eficiência dos glóbulos vermelhos de laboratório em persistir no sangue dos pacientes (Imagem: claudioventrella/envato)
O experimento procura ver a eficiência dos glóbulos vermelhos de laboratório em persistir no sangue dos pacientes (Imagem: claudioventrella/envato)

Por que fazer glóbulos vermelhos em laboratório?

Entre as vantagens dos glóbulos fabricados pelos cientistas, está a sua idade: todas as células são novas, enquanto uma transfusão do sangue padrão dos pacientes inclui células de várias idades diferentes. A expectativa, então, é que os glóbulos cultivados se saiam melhor do que os naturais.

Caso durem mais no corpo do que o sangue comum, as células manufaturadas podem beneficiar pacientes que precisam de transfusões regulares ao diminuir a frequência delas. Isso reduz, por exemplo, o excesso de ferro que transfusões frequentes causam, o que pode levar a complicações de saúde muito sérias.

O experimento é um dos primeiros passos para tornar glóbulos vermelhos disponíveis como um produto clínico no futuro. Células fabricadas já haviam sido transfusadas para um paciente antes, mas foram feitas a partir de suas próprias células-tronco: no teste mais atual, a transfusão realizada foi alogênica, ou seja, de um paciente para o outro, inédita na medicina.

Até os testes terminarem e o sangue puder ser usado clinicamente, a NHS ainda precisa de 250 doações de sangue por dia para manter pessoas com anemia falciforme — e esse número apenas cresce (Imagem: Pressmaster/Envato Elements)
Até os testes terminarem e o sangue puder ser usado clinicamente, a NHS ainda precisa de 250 doações de sangue por dia para manter pessoas com anemia falciforme — e esse número apenas cresce (Imagem: Pressmaster/Envato Elements)

O objetivo é que as células fabricadas fiquem disponíveis, futuramente, apenas para uma quantidade limitada de pacientes com necessidades complexas de transfusão, como os que têm anemia falciforme e com tipos sanguíneos raros: eles experimentam dificuldades para encontrar sangue compatível advindo de doações. Outros pacientes, mais gerais, ainda têm de recorrer ao sangue doado comum.

Até agora, dois pacientes já receberam a transfusão com células laboratoriais: monitorados de perto, eles não tiveram efeitos adversos, se mostrando bem e saudáveis. Embora a quantidade transfusada tenha variado, ela ficou entre 5 ml e 10 ml, cerca de uma a duas colheres de chá. Os doadores foram recrutados pelo programa de pesquisa do NHS, o BioResource.

Prosseguindo com o estudo, um mínimo de 10 participantes receberá 2 mini transfusões em períodos de no mínimo 4 meses entre elas — uma de sangue comum e outra de sangue laboratorial — para checar a duração dos glóbulos vermelhos fabricados com maior precisão. Mais pesquisas terão de ser feitas até o uso clínico do novo material ser aprovado, mas essas primeiras transfusões já marcam um grande passo na melhoria do tratamento para pacientes com tipos sanguíneos raros ou outras condições que precisam de cuidado especial.

Fonte: Canaltech

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