Mercado fechará em 1 h 38 min

Pela 1ª vez, cientistas conseguem simular a formação de uma classe de meteoritos

Danielle Cassita
·3 minuto de leitura

A equipe de ciências da Universidade Técnica de Munique realizou um experimento com o qual, pela primeira fez, foi possível simular a formação dos palasitos - uma classe de meteoritos formados por rochas e ferro. Para isso, eles utilizaram o instrumento Six Anvil Press for High pressure Radiography and diffraction (SAPHiR). Mesmo com décadas de estudo, a origem desses meteoritos ainda seguia incerta.

Para investigar como se formam, a equipe utilizou um equipamento de prensa multi-bigorna do instrumento SAPHiR. "Com uma força de 2400 toneladas, o SAPHiR consegue exercer uma pressão de 15 gigapascals em amostras acima de 2000ºC", explica Nicolas Walte, o autor que liderou o estudo. Assim, para simular a colisão de dois corpos celestiais, a equipe de pesquisa precisou de apenas 1 gigapascal a 1300ºC.

Esse procedimento foi necessário, pois, até então, acreditava-se que os palasitos se formavam pela união do núcleo metálico e o manto rochoso de asteroides. Entretanto, um cenário alternativo sugere que os palasitos podem se formar próximos da superfície após uma colisão com outro corpo celestial. Com o impacto, o ferro derretido no núcleo do corpo que o impactou se mescla com o manto do objeto original, que é rico em olivina, um mineral.

Instrumento SAPHiR (Imagem: W. Schürmann / TUM)
Instrumento SAPHiR (Imagem: W. Schürmann / TUM)

Graças ao experimento, foi possível confirmar essa hipótese de impacto: tanto a separação parcial do núcleo e manto seguida de impacto de outro corpo são necessários para os palasitos se formarem. Estes experimentos trazem um novo olhar sobre colisões e o que surge da mistura de dois objetos celestiais que esfriam rapidamente juntos - mas este é um tópico que ficará para estudos futuros.

Um olhar ao passado do Sistema Solar

Meteoritos são rochas sobreviventes a colisões com planetas, encontrados no solo quando objetos como grandes asteroides não queimam por completo ao entrarem em uma atmosfera como a da Terra. Então, os meteoritos encontrados em nosso planeta acabam sendo peças mais acessíveis do passado do Sistema Solar, já que são remanescentes de objetos espaciais extremamente antigos, permitindo que pesquisadores saibam mais sobre a formação do Sistema Solar ao estudá-los.

E, para Walte, "os palasitos são alguns dos meteoritos mais bonitos e pouco comuns". Essa estrutura curiosa surpreendente vem de sua formação: os palasitos são do grupo de meteoritos formados por rocha e aço, que contêm cristais de níquel e aço, que dão uma aparência que lembra favos de mel. Eles se formaram há mais de 4 bilhões de anos, em um período em que os asteroides se aqueciam tanto que seus componentes metálicos derretiam e se afundavam em seus interiores. "Como muitos asteroides, a Terra e a Lua são divididas em múltiplas camadas, que consistem em núcleo, manto e crosta', finaliza Walte.

Assim, mundos de alta complexidade foram criados através da aglomeração de vários componentes cósmicos - e ele comenta que isso não foi diferente com a Terra. No caso do nosso planeta, suspeita-se que isso permitiu o desenvolvimento da vida, por sinal.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: