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'Peguei policiais chorando de revolta', diz delegado que descobriu rinha

Cachorros estavam muito machucados, alguns, até mortos. Foto: Polícia Civil do Paraná/Divulgação

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Policiais que flagraram rinha de cães choraram de revolta e tristeza, revela delegado do caso.

  • Suspeitos haviam sido presos no final de semana em evento que incitava luta de cachorros da raça pitbull em Mairiporã.

Foi decretada nessa sexta-feira (20) a prisão preventiva de 22 envolvidos em uma rinha de cães na Grande São Paulo. A rinha havia sido descoberta pela Polícia Civil no último final de semana em uma chácara em Mairiporã, região metropolitana.

O caso chocou e até emocionou policiais que lidaram com a investigação, revelou reportagem da BBC News Brasil. Um deles foi o delegado Matheus Laiola, chefe da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil do Paraná, que recebeu de uma mulher, cético, há alguns meses, a informação da denúncia: em dezembro, haveria uma rinha de cães da raça pitbull em Mairiporã, na Região Metropolitana de São Paulo.

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Na batida que desmontou a rinha, sábado passado, as cenas chocaram: eram cachorros mortos, machucados e sendo assados em churrascos, imagens qyue comoveram o país e mobilizaram ONGs em São Paulo e Curitiba para acolher os animais.

"Na época da denúncia, fiquei bem cético. Peguei os nomes dos dois suspeitos que ela citou e percebemos que as informações estavam batendo", disse Laiola à BBC. A operação mobilizou 100 policiais do Paraná e de São Paulo, e 40 viaturas.

Nesta sexta-feira (20/12), a Justiça de São Paulo decretou a prisão preventiva de 22 envolvidos na rinha de cães. Ao todo, 41 homens foram presos, mas apenas um permaneceu na prisão após ser apontado como o organizador do evento.

Além de tensão, A chegada dos policiais à rinha foi um dos momentos de alívio para o delegado que comandou a operação.

Ao longo de 13 anos de carreira na Polícia Civil, o delegado disse nunca ter visto um caso com tamanha comoção entre as equipes. "Eu nunca vi uma cena daquela. Peguei uns 70% dos policiais chorando de revolta, era muita tristeza". Ao todo, a operação resgatou 19 cães e apreendeu R$ 50 mil em espécie, apetrechos de aposta, troféus e camisetas mostrando a pesagem dos cães. "É como se fosse um UFC", comparou o delegado, em referência aos famosos torneios promovidos pela organização Ultimate Fighting Championship.

Justiça expede prisão contra 22

A informação sobre a ordem de prisão foi divulgada pelo portal G1. A titular da 2ª Vara Judicial da cidade, a juíza Daniela Aoki de Andrade Maria, entendeu que os investigados não cumpriram a determinação de se apresentarem à Justiça durante a semana, o que foi considerado por ela a demonstração "de que não pretendem colaborar com a Justiça" e "frustrar" a aplicação da lei.

Ao todo, 41 homens envolvidos na briga de cães haviam sido presos. Após audiência de custódia realizada na segunda-feira (16), no entanto, apenas um deles permaneceu preso, acusado de ser o organizador do evento.

O Ministério Público recorreu da decisão e pediu que fosse decretada a prisão dos outros 40 envolvidos. O argumento usado foi a gravidade do crime. O caso corre sob segredo de Justiça.

Além de maus tratos de animais, os suspeitos ainda respondem por associação criminosa e jogos de azar (eram feitas apostas em dinheiro nas lutas para saber que cão sairia vencedor e qual perderia a disputa).

Questionada pelo G1, a Secretaria de Estado de Segurança Pública não informou se os mandados de prisão já foram expedidos. A Polícia Civil realiza buscas para tentar localizar alguns dos suspeitos. Outros, a polícia já possui a informação que estão fora do estado de São Paulo.

A reportagem não obteve a informação de se eles possuem advogados constituídos.