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Campeão mundial no wakeboard lembra de ensinar Neymar: 'Era fera'

Fernando Del Carlo
·4 minuto de leitura
Pedro Caldas mostra manobras no Beach Park (Marcelo Maragini/Red Bull Content Pool)
Pedro Caldas mostra manobras no Beach Park (Marcelo Maragini/Red Bull Content Pool)

O goiano de alma paulista Pedro Caldas, de 20 anos, já escreveu seu nome no cenário do wakeboard. Tudo embasado nas performances que lhe renderam títulos e contratos de patrocínios. De trajetória precoce, iniciou aos cinco e aos nove anos adotou com seriedade a modalidade aquática que seria sua carreira. Atualmente, tem vínculo profissional com marca de bebidas energéticas do exterior, além de patrocinadores de equipamentos e obstáculos para o wake. No entanto, o bom momento, como de muitos atletas, foi alterado por tragédia de âmbito mundial.

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A pandemia da Covid-19 quebrou o ritmo do vencedor. Mesmo que temporariamente afetando o trabalho de Caldas – especialmente em compromissos fora do país -, privado de competir, ele não parou de treinar e se preparou física e emocionalmente.

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Enquanto aguarda o retorno aos torneios (sem previsão) ou apresentações de negócios da marca que representa, por conta dos desdobramentos com o novo coronavirus, planeja viver na Europa. E se isto ainda não é possível, fomenta por aqui a modalidade radical que não tem a mesma visibilidade do skate ou surfe. Sua base é a cidade de Jaguariúna, no interior de São Paulo. Lá treinava sozinho em parque aquático fechado. Agora, com o local aberto, motiva a galera que visita o Naga Cable Park, o primeiro espaço do gênero na América Latina. 

O empreendimento é de seu pai, Pedro Paulo Caldas, incentivador no wake. Fissurado por manobras radicais e ainda inspirador ao filhote do skate e surfe. Este criou negócio atento ao entretenimento esportivo e que valorizasse o meio-ambiente. E foi o quintal da qual Caldas passou a infância. No entanto o foco do menino iria além do lazer. Aprimorou-se na habilidade ao mudar-se para os Estados Unidos, onde tomou aulas com um dos mais conhecidos técnicos do mundo, Mike Ferraro. Segundo o americano, Pedro já era raro talento, de pouca idade. “Se divertia e com estilo. Motivado pela vontade de acertar”.

Com este suporte, o caminho balizado levou ao sucesso. Sagrou-se campeão mundial da categoria Júnior classe Cable em 2019, no Pampa Park em Buenos Aires (Argentina). Pedroca ou Doca, como é conhecido no meio, havia competido ainda na categoria Open, mas nesta esteve entre os seis primeiros. Exigente, sentiu-se muito feliz embora seu foco fosse o rail rider. “O torneio teve mais Air Tricks (manobras aéreas) e menos sliders (corrimãos)”.

O evento é o único qualificado por seis estrelas disputado de dois em dois anos. A organização ficou a cargo da IWWF (Federação Internacional de Water Ski e Wakeboard). E Caldas tornou-se o primeiro brazuca a conquistá-lo.

O tempo passa e se vão 11 anos na estrada, ou melhor, no agitar das águas para Caldas desde que venceu o primeiro torneio na classe barco. Ele coleciona além de títulos, histórias. Como por exemplo, a vivida com celebridade do futebol e que virou parça temporário no esporte. Ele pôde ensinar wakeboard cable ao craque Neymar Jr, na época vestindo a camisa 11 do Santos. Caldas, bem humorado, brincou ao falar de Neymar ser lento e não conseguir pegar as manobras, em entrevista da época. 

“Na verdade, ele (Neymar) é gente fina, pessoa muito humilde”, destaca o menino torcedor do Goiás. O boleiro já havia praticado o esporte como hobby no mar (águas salgadas). “Por isso, ele ficou em pé, mandou bem e se jogou”, lembra Caldas no relato da experiência inesquecível com Neymar Jr. O atacante trocou a emoção de usar chuteiras para sentir adrenalina da modalidade no Naga Cable Park. E curtiu.

Caldas se lembra do fato quando tinha apenas 12 anos e já aparecia sua técnica ao se apresentar também a Neymar Jr que estava com 20. “O pai” deve ter ficado ‘on’ – expressão ainda não usada pelo jogador no passado, hoje marca habitual em suas redes sociais para dizer que está online ou ligado.

Assim, o craque da seleção brasileira se rendeu a Caldas considerando-o fera. Pedro acompanhou Neymar Jr praticando o wake puxado por cabos elétricos. Estrutura que compreende o lago (águas doces) de 28 metros.

Diferenças

Na classe barco, o wakeboarder fica de pe´em cima de uma prancha parecida com a de snowboard, com botas acopladas. Ao mesmo tempo precisa segurar num cabo ligado a um barco. Com as ondas formadas pelo barco é possível fazer manobras. Pode ser praticado no mar, em rios ou grandes lagos. A modalidade não fará parte dos jogos olímpicos de Tóquio, mas foi disputada nos Pan-Americanos. Teve brazuca campeão: Marcelo Girardi, o marreco, que conquistou o Pan-americano em 2007.

Já na classe Cable, não há ondas e as manobras são feitas em obstáculos construídos pelo homem (rampas e corrimãos). E os cabos ficam presos às torres que conduzem as pessoas. As velocidades são controladas.

A opção do praticante na classe Cable traz economia de gastos, pois manter um barco, ou lancha tem custo elevado, além de precisar dispor de corda, colete, gasolina e pagar alguém para puxar o praticante. Há também vantagem de colocar mais pessoas na água por vez, trazendo uma relação melhor custo-benefício para quem faz esta opção. Caldas compara o skate ao wake de barco sendo o street, com diversos obstáculos. Já o Cable, é o skate na modalidade vertical com rampa uniforme.