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Pedidos de internação e casos de síndrome respiratória grave voltam a subir no Rio e ligam alerta vermelho para Covid-19

Felipe Grinberg e Rodrigo de Souza
·6 minuto de leitura

RIO — Os números de casos de síndrome respiratória aguda grave e os pedidos crescentes de internação em hospitais acendem, mais uma vez, o sinal de alerta no Rio. Enquanto os governos municipais e estaduais discutem novas medidas para frear o avanço do coronavírus, entre elas o toque de recolher à noite na capital, especialistas já defendem que é hora de uma virada drástica na chave porque a tendência da curva da Covid-19 no Rio já começa a mudar. Um levantamento do GLOBO, com dados do governo do estado, mostra que a semana passada foi a que mais concentrou pedidos de internação em UTIs em fevereiro para pacientes com suspeita da doença na rede pública. Em relação à semana anterior, a alta foi de 34,5%, o que interrompeu seis períodos consecutivos de queda. Na capital, o aumento de 31%.

Estatístico e pesquisador em saúde pública da Fiocruz, Leonardo Bastos acompanha a evolução dessa curva de pedidos de internações por cem mil habitantes e também já detectou que vivemos um momento decisivo.

— A hora é agora. Se essas mudanças estão relacionadas à nova variante, podemos enfrentar um crescimento muito rápido (da doença) como vemos em outros estados. Se não fizermos uma restrição neste momento, a gente vai perder a oportunidade. Então, (a curva) pode começar a crescer e ser tarde demais. Acho que é oportuno ter alguma restrição de mobilidade — analisa Bastos.

Atendimento em UPAs

Nesta quarta-feira, o prefeito Eduardo Paes disse que pode anunciar novas restrições nesta quinta-feira — quando deve divulgar o novo mapa epidemiológico com um dia de antecipação — e o governador Cláudio Castro, por sua vez, voltou a dizer que o estado não terá lockdown. A Fiocruz, que fechou uma última atualização do novo mapa do Infogripe — que usa números do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica (Sivep-Gripe) — já vê possível reversão na curva do novo coronavírus. Se antes ela estava em queda, agora, com novos casos, começou a crescer. A tendência, que era de redução, sobe para um quadro de estabilidade, que exige alerta. Bastos aponta riscos:

— No cenário mais conservador, estamos em uma estabilidade muito alta. É um aviso de que não estamos mais caindo, o que pode piorar se estiver associado ao relaxamento do isolamento social e das medidas de prevenção.

Enquanto isso, nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da cidade, a demanda de casos menos graves parece estável. Na UPA de Bangu, bairro com o segundo o maior número de mortes por Covid-19 no Rio (798), a circulação de pacientes estava intensa ontem por volta das 13h50, mas a unidade informava ter vagas para atender, inclusive em sua sala vermelha. Cerca de 15 pessoas, entre pacientes e acompanhantes, ocupavam as cadeiras da sala de espera, enquanto outras oito aguardavam acolhimento na fila da recepção. Uma delas era a dona de casa Valdete Modesto, de 63 anos, que procurava atendimento para a neta, Ana Beatriz Modesto, de 20. Ana acordou com febre e fortes dores pelo corpo.

— Se ela pegou Covid, foi a segunda pessoa da família, pois minha filha já teve. Moro na Vila Kennedy, mas vim à UPA de Bangu porque ouvi dizer que o atendimento lá é muito ruim. Minha filha precisou e enfrentou muita demora — disse Valdete, que saiu com Ana Beatriz, levando uma receita de azitromicina (antibiótico que trata infecções bacterianas e não é indicado para vírus como o da Covid-19) e sem ser testada.

Medo de colapso

A taxa de ocupação de UTIs em unidades próprias do município já chega a 88%, conforme destacou nesta quarta-feira a Fiocruz, enquanto a de leitos de toda a rede SUS na cidade está em torno de 76%. Na terça-feira, os médicos que atuam nas emergências fluminenses pediram 88 vagas de internação para pacientes graves em UTI, o maior número desde o dia 20 de janeiro. Na segunda-feira, dia 1º de março, foram 85 pedidos, o segundo maior nos últimos 42 dias.

Com a situação em estados vizinhos piorando repentinamente, especialistas alertam que o Rio tem a chance de se antecipar aos problemas vividos em São Paulo e Santa Catarina. O risco de ter o sistema de saúde em colapso novamente assusta a epidemiologista Gulnar Azevedo, da Uerj:

— Todos os alertas já se acenderam. As autoridades políticas e sanitárias devem se esforçar para conter o crescimento da transmissão do vírus e evitar o colapso total do sistema de saúde. O momento é de muita gravidade e exige a constituição de uma comissão de enfrentamento nacional com a participação das esferas federal, estadual e municipal do SUS e de representantes do controle social e da comunidade científica.

O Estado do Rio registrou nesta quarta-feira 186 novos óbitos da Covid-19 e quase 2,2 mil novas pessoas infectadas pela Covid-19. Desde o início da pandemia, são 33.362 vítimas da doença e 578 mil casos. A média móvel de mortes está em 112 óbitos por dia e cresceu 5% em relação há duas semanas. Há dez dias seguidos, após uma queda na média de óbitos, a cidade do Rio ultrapassou, mais uma vez, a marca de mais de cem mortos por dia.

Covid-19 parece ter dinâmica diferente no Rio

O contraste da situação epidemiológica do Rio em relação a outros estados brasileiros ainda é um mistério para os especialistas. A cidade tem recorrentes cenas de aglomeração, viu seus pontos turísticos, sobretudo praias, lotarem, em especial em feriados como réveillon e carnaval, e não faz rastreamento de casos e nem adotou medidas drásticas de restrição. Apesar disso, enquanto o resto do país vê suas condições sanitárias se agravarem, o município só agora começa a apresentar sinais de uma mudança de tendência nas curvas da pandemia. Uma das hipóteses levantadas pelo governo do estado é que o Rio já passou pela situação em que se encontra o resto do país, entre o fim do ano passado e início de janeiro.

Esta semana, a Secretaria estadual de saúde realizou uma reunião com todas as cidades fluminenses em que apresentou explicações de por que, na avaliação de seus especialistas, o Rio vive até então um momento mais tranquilo da pandemia. Segundo fontes do GLOBO, a explicação foi que o Brasil sofre uma interiorização da segunda onda, o que já teria acontecido no Rio no fim de 2020. Na segunda-feira, o governador Claudio Castro disse que o Rio de Janeiro está seguindo um “padrão europeu” com relação ao impacto do coronavírus, pois foi acometido pela “segunda onda no fim de novembro até janeiro”.

— É muito importante lembrar que o Rio já passou pela segunda onda, que hoje está no restante do país — acredita Castro. — Ouvi de um especialista esta a semana que a gente está seguindo o padrão europeu, talvez por o Rio ser porta de entrada (de turistas).

Calendário de vacinação

Com base num cronograma de entrega de vacinas, a prefeitura do Rio atualizou o calendário de imunização na cidade. Nesta quinta e sexta-feira, serão vacinadas pessoas com 78 anos. Na segunda e na terça da semana que vem, será a vez dos idosos com 77 anos. Na quarta e na quinta-feira, os de 76; na sexta-feira e no sábado (que também tem repescagem), os de 75. Nos dias 15 e 16, os de 74; 17 e 18, os de 73; 19 e 20, os de 72; 22 e 23, os de 71; 24 e 25, os de 70; 26 e 27, os de 69; 29 e 30, os de 68; e no dia 31, os de 67 anos.