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Pedidos de ajuda em órgão de apoio a mulheres vítimas de violência em Niterói cresceu 20% na pandemia

Leonardo Sodré
·3 minuto de leitura

NITERÓI — As condições de isolamento social durante a pandemia que dificultaram mulheres vítimas de violência de denunciarem os agressores não está impedindo que muitas busquem ajuda psicológica para enfrentar a situação em Niterói. Na contramão da redução de 21,9% no número de registros enquadrados na Lei Maria da Penha — entre 13 de março e 31 de dezembro de 2020 — no estado, os pedidos de auxílio psicológico cresceram durante a crise sanitária na cidade. A Coordenadoria de Direitos da Mulher (Codim) do município, que dá assistência a vítimas de diversos tipos de violência, registrou 20% de aumento nos chamados. Mais de 75% dos casos são de mulheres e meninas vítimas de agressões físicas.

Após o início da pandemia no ano passado, o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (Ceam) da Codim realizou 1.131 atendimentos. Na fase inicial, de maior isolamento social, foi disponibilizado o serviço de auxílio psicológico e jurídico remoto. Foram 260 atendimentos a mulheres que buscaram ajuda pela primeira vez. No mesmo período do ano anterior, foram realizados 219 atendimentos: um aumento de 18,7%. O crescimento é ainda maior, de mais de 55%, quando comparado a 2013, ano de criação da coordenadoria, quando foram registrados 167 chamados. A equipe da Codim é formada por uma coordenadora, uma advogada, duas assistentes sociais, duas psicólogas e uma arteterapeuta.

— Só em 2021 foram realizados 243 atendimentos, sendo que mais de 43% foram em busca de atendimento pela primeira vez, revelando que a violência contra a mulher, em suas diferentes manifestações, permanece sendo o principal desafio no estabelecimento das políticas públicas para as mulheres — diz a coordenadora do órgão, Fernanda Sixel.

Com a pandemia e o isolamento social, o número de chamados de mulheres vítimas de violência doméstica aumentou na Codim. Em contrapartida, os registros oficiais, que podem levar os agressores a responder criminalmente, caiu em todo estado. De 13 de março a 31 de dezembro de 2020, houve redução no número de registros de ocorrências na Polícia Civil em relação ao mesmo período de 2019. A quantidade de ligações para o Disque-Denúncia relacionadas a violência contra mulher também foi 20,3% menor. Por outro lado, o serviço 190 da Polícia Militar apresentou aumento de ligações relacionadas a crimes contra mulheres (5,8%), na mesma comparação de datas.

Dentre os motivos apontados pela Codim para a redução nos registros de casos estão a impossibilidade de as mulheres garantirem em casa a privacidade necessária para fazer a denúncia e receber o atendimento, além da falta de conectividade para acessar o serviço, o pouco tempo disponível em razão das tarefas de trabalho e o cuidado com os filhos e o aumento do desemprego entre mulheres. Fernanda Sixel diz que a procura por ajuda foi maior em Niterói após a flexibilização.

— Com a reabertura do atendimento presencial, a procura aumentou, mas o Ceam fechou o ano com uma queda de 4,5% no total de atendimentos em comparação a 2019. Esse dado reforça a percepção da subnotificação dos casos — considera a coordenadora.

Professora do Instituto de Psicologia da UFF, Paula Curi diz que a condição de isolamento contribuiu para afastar as mulheres de redes de apoio, mas a violência de gênero está baseada em relações de poder estabelecidas na sociedade muito antes da pandemia.

— Claro que o atual momento pode ser um favorecedor, mas, efetivamente, não podemos esquecer que as violências contra as mulheres são históricas e não são consequências da pandemia, mas de nossa sociedade. Podemos dizer que a pandemia pode exacerbar as violências, mas não é exatamente a causa. Temos que ficar vigilantes com essas falas porque podem criar uma falsa impressão de que é algo novo. Não é! Na pandemia, além de a mulher se distanciar de suas redes de afetos, daqueles laços que são mais próximos e cotidianos, os serviços e os dispositivos tiveram que se adequar e, para isso, leva-se algum tempo — afirma Paula.

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