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Pecuária brasileira pode liderar alimentação no mundo; entenda

·4 min de leitura
  • Brasil seria capaz de ofertar cerca de 130 milhões de toneladas de carcaça bovina na mesma área atual

  • Oferta de carne bovina seria suficiente para elevar o consumo per capita global de 9,6 kg para 25 kg

  • A tendência é que haja forte estímulo ao aumento de produtividade ao longo dos próximos 5 anos

A pecuária é um setor em franco crescimento nos últimos anos, passando até com certa facilidade pelos desafios econômicos causados pela pandemia. No entanto, especialistas, fazendeiros e executivos são unânimes ao dizer que a pecuária deve encontrar espaço para crescer nos próximos anos, com especial atenção para novas ferramentas tecnológicas.

Hoje, de acordo com dados da Athenagro, a produtividade brasileira média atual está por volta de 65 quilos de carcaça (carne com osso) por hectare/ano. No entanto, há espaço para mais. No Rally da Pecuária, expedição que entrevista produtores nas principais regiões produtoras do Brasil, a produtividade média registrada entre os 10% mais eficientes está por volta de 750 kg de carcaça por hectare/ano. Na média do público entrevistado pelo Rally da Pecuária, a produtividade é de 180kg/ha/ano, 2,8 vezes acima da média nacional.

Assim, em um cálculo hipotético, imaginando que toda a pecuária atingisse este nível de produtividade, só o Brasil seria capaz de ofertar cerca de 130 milhões de toneladas de carcaça bovina na mesma área atual de 165 milhões de hectares. É praticamente o dobro de toda a produção mundial de carcaça, que em 2018 foi de 72 milhões de toneladas.

“Nessa hipótese, apenas aumentando a produtividade do sistema de produção brasileiro, a oferta de carne bovina seria suficiente para elevar o consumo per capita global de 9,6 kg para 25 kg por ano. E esse sistema ainda pode ser replicado na África subsaariana e em outros países da América do Sul e Ásia, com elevado potencial de redução nos custos de produção e consequente disponibilidade de carne bovina aos mais pobres”, diz Maurício Palma Nogueira, diretor da Athenagro e coordenador do Rally.

Tecnologia na pecuária

Maurício afirma, porém, que há um caminho. “O desafio é financeiro, pois há necessidade de aporte de capital para investir no aumento do pacote tecnológico”, explica. “Caso não ocorra nenhum contratempo de ordem sanitária ou macroeconômica, a tendência é que haja forte estímulo ao aumento de produtividade ao longo dos próximos 5 anos, no mínimo”.

As tecnologias que ajudariam a aumentar a produtividade por hectare/ano são as mais variadas possíveis. Softwares de gestão administrativa podem facilitar o acompanhamento do rebanho e até mesmo o melhor momento para abate. Drones podem fazer o acompanhamento em tempo real da movimentação do rebanho, enquanto sensores ajudam o produtor a controlar melhor a qualidade de vida do animal — o que pode abrir, inclusive, espaço em outros mercados ao redor do mundo. Além de tecnologias de saúde animal.

“Temos espaço para aumento de produtividade apenas implantando técnicas de manejo e melhoramento genético e nutricional”, diz Caio Vinicius Rossato, presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), em entrevista ao Yahoo! Finanças. Segundo o entrevistado, foi de olho nessas novas tecnologias que a pecuária bubalina foi a que mais cresceu na atividade pecuária dos últimos 10 anos. “A tendência para o nosso setor é produzir mais e com melhor qualidade de carne, sempre utilizando técnicas modernas”.

Com isso, não só a forma de exercer a pecuária precisa se transformar, como o próprio fazendeiro precisa se atualizar. “Gestão, antes de tudo. Gestão profissional dentro do campo”, diz Antonio Pitangui de Salvo, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). “Isso pode mudar tudo”.

Cuidado com o meio-ambiente

Além disso, especialistas ressaltam que, para atingir essa quantidade de carne produzida no Brasil, não é preciso desmatar nem mais um centímetro de terra no Brasil — o que existe hoje, de espaço no campo, já atinge aquela quantidade 130 milhões de toneladas de carcaça bovina. Assim, é um bom momento para aprofundar a relação com meio-ambiente.

“É praticamente uma via de mão dupla”, diz o professor Ezequiel Silva, especialista em agronegócio. “De um lado, usamos tecnologias para aumentar a produtividade por hectare. Com isso, fica mais fácil atingir a demanda nacional e externa, sem precisar desmatar mais. É uma equação simples. A pecuária só precisa investir mais em inovações que nós mesmos estamos produzindo para o Brasil atingir a liderança mundial em todos os quesitos. E não falo isso só da carne bovina. Vale para todo o setor da pecuária, sem distinções”.

Mas Juliana Mafra, pesquisadora na área e com foco em agricultura familiar, chama a atenção também para um olhar para produtores independentes. “Além da tecnologia, talvez seja a hora também de prestarmos atenção em movimentos sociais ou pecuaristas independentes”, diz ela. “Com terras mais iguais e produtivas, a pecuária consegue ir além”.

Leia a primeira reportagem da série especial sobre pecuária

Leia a segunda reportagem da série especial sobre pecuária

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