PEA da Grande SP tem 1ª queda em outubro em 20 anos

O recuo de 0,3% na População Economicamente Ativa (PEA) da região metropolitana de São Paulo entre setembro e outubro, para 11,24 milhões de pessoas, é o primeiro em 20 anos para o mês da pesquisa da Fundação Seade/Dieese, cujo levantamento do mês passado foi divulgado nesta quarta-feira. "De setembro a outubro é um período do ano em que as ofertas de emprego existem. O mercado dá sinais de que não está admitindo e leva as pessoas a não procurar emprego", disse Alexandre Loloian, economista e coordenador de análise da Fundação Seade.

Além da queda na PEA, o crescimento do nível de ocupação, de 0,2% entre setembro e outubro, para 10,016 milhões de pessoas, foi atípico no mês passado, na avaliação de Loloian. "De 2006 para cá, a média (de crescimento do nível de ocupação) foi de 1,2% de alta entre setembro e outubro", disse. No entanto, pela primeira vez na história o total de pessoas ocupadas na região metropolitana de São Paulo ultrapassou 10 milhões.

Segundo o coordenador de análise da Fundação Seade, os desempenhos dos índices mostram que as "as empresas não estão contratando como antes. Há uma situação de insegurança diante da crise europeia, do endividamento, e os empresários não estão otimistas", avaliou.

Desemprego

Já a taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo, de 10,9%, foi a menor para meses de outubro desde 1992, igual à de outubro de 2010 e acima da de outubro de 2011 (9,9%). O total de desempregados na região atingiu 1,225 milhão de pessoas em outubro, ante 1,074 milhão em igual mês do ano passado e 1,274 em setembro de 2012.

Outro indicador de incerteza da economia apontado por Loloian é o chamado desemprego oculto, que cresceu 0,2 ponto porcentual entre setembro e outubro, para 2,4%. É o maior porcentual para o indicador em outubro nos últimos dez anos, segundo o economista. Fazem parte do indicador de desemprego oculto pessoas que procuraram emprego formal no mês e não conseguiram ocupação, mas fizeram algum tipo trabalho informal, o chamado bico.

"Essa alta pode ser um sinal de incerteza, ou até de falta de postura mais ativa no mercado de trabalho da pessoa", explicou. Já índice referente a pessoas que não têm e não procuraram emprego em outubro foi de 8,5% "Isso tudo reforça a desconfiança de que as coisas não estão caminhando como vinham caminhando", disse.

Outras regiões

Nas seis regiões metropolitanas mais o Distrito Federal pesquisadas pela Fundação Seade e pelo Dieese, a taxa de desemprego recuou de 10,9% para 10,5% entre setembro e outubro e o total da PEA recuou em 8 mil pessoas, cenário de estabilidade. "Como o número de ocupados cresceu em 72 mil e a PEA recuou em 8 mil, houve uma saída de 80 mil pessoas da condição de desemprego", explicou Ana Maria Belavenuto, técnica do Dieese.

Na análise anual, entre outubro de 2011 e 2012, a PEA das regiões avaliadas cresceu 3,2%, para 22,52 milhões de pessoas, e 691 mil postos de trabalho foram criados, alta de 2,6%.

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