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Pazuello enfrenta resistências para assumir PPI e deve voltar para cargo militar

RICARDO DELLA COLETTA, GUSTAVO URIBE E DANIEL CARVALHO
·3 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Com a resistência de ministros tanto civis como militares para que seja acomodado em um cargo vinculado ao Palácio do Planalto, o general da ativa Eduardo Pazuello, que deixou oficialmente o comando do Ministério da Saúde na terça-feira (23), deve reassumir uma função de natureza militar. O presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que tentava acomodar o aliado na sede da Presidência da República, já reconhece, segundo assessores palacianos, que a única alternativa que sobrou para o militar é assumir uma posição no Ministério da Defesa. O presidente chegou a sugerir, em conversas reservadas, que Pazuello assumisse o PPI (Programa de Parceria e Investimentos). No entanto, mudou de ideia após reação negativa dos ministros da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, e da Economia, Paulo Guedes. A avaliação de ambos é de que a estrutura, que deve ser deslocada da Economia para a Secretaria-Geral, é estratégica para a política econômica do governo federal e que precisa, portanto, de um nome com experiência na área. Tanto Guedes quanto Tarcísio argumentaram, segundo relatos feitos à reportagem, que o programa é o cartão de visita do programa de privatizações do governo e que a nomeação de Pazuello seria interpretada de forma negativa pelo mercado. Pazuello comandava a Saúde desde maio do ano passado. Alvo de investigação e criticado por sua atuação no combate à pandemia do coronavírus, ele foi substituído pelo médico Marcelo Queiroga e, até agora, não foi nomeado para outra função. A efetivação de Queiroga no posto demorou mais de uma semana, entre outros motivos, pelo desejo do presidente de alocar Pazuello -considerado um aliado fiel- em alguma posição de destaque na administração federal. Os postos avaliados para o militar, no entanto, enfrentaram resistências internas de auxiliares militares e civis de Bolsonaro, que destacaram que Pazuello carrega consigo o desgaste das inúmeras queixas à sua gestão da Saúde. O presidente chegou, em um primeiro momento, criar um ministério extraordinário para a Amazônia e entregá-lo a Pazuello ou designá-lo para comandar a SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos). A ideia de um novo ministério foi descartada diante da possibilidade de o governo federal ser acusado de querer lotear a máquina púbica apenas para acomodar um aliado. Além disso, seria interpretada como uma forma de proteger Pazuello com foro privilegiado. O general da ativa é alvo de uma investigação do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre uma suposta omissão para evitar o colapso de oxigênio em Manaus. Caso ele não mantenha o foro especial, o inquérito contra ele será remetido à primeira instância. A tendência é que vá para a Justiça Federal do Distrito Federal. O receio é de que, em primeira instância, a análise do caso do militar possa ser tratada de maneira mais rígida, até com o risco de prisão, dependendo do magistrado que assumir a investigação. O presidente também considerou acomodar o general na SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos), que atualmente é comandada pelo almirante Flávio Rocha. De acordo com interlocutores do presidente, Rocha disse a Bolsonaro que quer permanecer à frente da SAE, o que fechou novamente as portas para Pazuello. Com a indefinição, assessores palacianos dizem que Pazuello deve reassumir um posto de natureza militar. Atualmente, discute-se se a posição a ser preenchida será no Ministério da Defesa ou no Exército Brasileiro. Mesmo o retorno de Pazuello para o Exército enfrenta obstáculos. De acordo com integrantes da cúpula militar, o comandante Edson Pujol atua para que o ex-ministro não volte para a força. Ele avalia que o Exército já sofreu desgaste suficiente com a presença de um militar da ativa no comando da Saúde no momento mais crítico da pandemia. O ministro da Defesa, Fernando Azevedo, por outro lado, sinalizou a Bolsonaro que não teria problemas em acomodar o militar em um cargo de assessoria na pasta, o que é hoje o destino mais provável do militar.