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Assim como Marcos Cintra, Paulo Guedes também é simpático à volta da CPMF

Silvia Izquierdo/AP

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Guedes disse ao Valor Econômico que o Imposto sobre Transações Financeiras, como deverá ser chamada a nova CPMF, poderá arrecadar até R$ 150 bilhões ao ano.

  • Na mesma entrevista, o ministro defendeu que se crie esse imposto como alternativa para a suposta redução de outros tributos.

Exonerado esta semana do cargo de secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra não era o único integrante do governo de Jair Bolsonaro (PSL) a defender a volta da CPMF.

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Segundo o blog do jornalista Guilherme Amado, na revista Época, o ministro da Economia, Paulo Guedes, também é simpático ao imposto e também o tem defendido.

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Há alguns dias, destaca o jornalista, Guedes disse para o jornal Valor Econômico que o Imposto sobre Transações Financeiras, como deverá ser chamada a nova CPMF, poderá arrecadar até R$ 150 bilhões ao ano.

Na mesma entrevista, defendeu que se crie esse imposto como alternativa para a suposta redução de outros tributos.

"O Imposto sobre Transações Financeiras é feio, é chato, mas arrecadou bem e por isso durou 13 anos", afirmou, na entrevista.

Opiniões de Bolsonaro sobre o imposto

Já Bolsonaro, de acordo com levantamento do jornal Folha de S.Paulo, negou em mais de uma ocasião, nos últimos 12 meses, os planos de criar um tributo sobre movimentações financeiras nos moldes da antiga CPMF.

Em 2007, por exemplo, então deputado federal, ele votou contra o projeto de prorrogação da CPMF até 2011, do governo Lula.

Em 2015, quando o governo Dilma Rousseff (PT) tentou ressuscitar o tributo, Bolsonaro escreveu nas redes sociais: "Vamos partir para onde? Para a cubanização, como uma forma de salvar o País? Volta da CPMF; nova alíquota do Imposto de Renda; taxação de grandes fortunas. Um Governo canalha, corrupto, imoral, ditatorial!"

Ano passado, poucos dias antes do primeiro turno eleitoral, o então candidato citou Paulo Guedes ao falar do imposto. Previamente, Guedes, na época assessor econômico do candidato Bolsonaro, apresentou os planos da nova CPMF para uma plateia de representantes do setor privado.

"Olha só, o presidente serei eu, tratei desse assunto com ele [Guedes], ele falou que foi um ato falho. Ele quer diminuir a quantidade de impostos, agregando tudo num novo nome, pessoal fala em IVA, imposto de valor agregado, ele escorregou nessa palavra", disse o ex-capitão, em entrevista à Rádio Jornal, de Pernambuco. "Não admitiremos a volta da CPMF, é um imposto ingrato, que incide em cascata e não é justo. Não existirá a CPMF, assim como será mantido todos os direitos sociais, entre eles o décimo terceiro. Então teremos um ministro sim, mas acima dele teremos um comandante e esse comandante chama-se Jair Bolsonaro".

No último dia 3, em entrevista à Folha, Bolsonaro disse que a recriação de um imposto nos moldes da antiga CPMF deve ser condicionada a alguma compensação para a população. "Já falei para o Guedes: para ter nova CPMF, tem que ter uma compensação para as pessoas. Se não, ele vai tomar porrada até de mim."