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Passista com nanismo já foi impedida de desfilar por conta da altura: "Foi horrível"

Por Aline Nobre (@linesnobre) e Lucas Pasin (@lucaspasin)

Pelo 12º ano, Viviane de Assis se prepara para desfilar e defender sua escola de coração, a Viradouro. Com 1.25m de altura, a passista nos dá uma aula de garra e até, como dizem por aí, uma certa ‘inveja’ pela leveza que enfrenta suas batalhas: com amor, humor e um sorrisão. Portadora de nanismo, Viviane se tornou ícone na Marques de Sapucaí mas conta que até hoje sofre preconceito.

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“Se eu falar que nunca sofri preconceito estaria mentindo. Até hoje é assim, só que hoje tenho uma marca registrada no Carnaval. No meu início na Viradouro, as próprias passistas me olhavam com aquele ar de graça, e ali mostrava que o meu tamanho nunca me impediu de nada. Para ser passista não precisa ter tamanho, tem que ter a minha beleza, tem que ter o meu corpo, o meu gingado e o meu samba no pé. Tamanho não é documento. Se fosse, a girafa seria rainha da selva”. 

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Vivi de Assis é passista há 12 anos (Foto: Alessandra Tolc/Yahoo Brasil)

Vivi relembra que uma das piores situações que passou foi no Carnaval de 2015, quando tentou ser Rainha da Corte do Carnaval do Rio de Janeiro e ao chegar no local da inscrição descobriu que a altura mínima era 1,60m. 

“Foi horrível, porque tinha que ter essa barreira? Muitas pessoas me chamaram de monstro, falaram que o Carnaval estava diminuindo. Só que eu, graças a Deus, tive uma criação muito linda dos meus pais, eles nunca esconderam que eu era pequena e que seria assim para o resto da minha vida. Me ensinaram a amar, a viver e a ir à luta, isso me faz ultrapassar barreiras a cada dia.”

Viviane de Assis dá aula de autoestima na avenida (Foto: Alessandra Tolc/ Yahoo Brasil)

Apesar das lutas diárias, a passista se diz satisfeita por receber da diretoria da agremiação da escola o respeito e carinho que todo portador de nanismo deveria receber. Para ela, mesmo desfilando há mais de uma década na Viradouro, sempre é como se fosse a primeira vez.

“Todo ano quando estou na concentração, fecho meus olhos, faço minha oração. Dá aquele friozinho na barriga, dá um arrepio, sinto a bateria e vou. É uma coisa muito gostosa.”

Vivi diz ainda que uma das coisas mais gratificantes é saber que é um exemplo para tantas outras pessoas. “Passo naquela avenida, do setor 1 ao setor 13 e a arquibancada vem ao chão, é gritaria, aplauso, pessoas pedindo fotos, homens e mulheres vem até mim e me dizem que eu consigo levar felicidade para eles, que independentemente do meu tamanho mostro uma alegria enorme”. 

E outro assunto que a faz se derreter é quando fala de ‘seus dois homens’. Seu filho Paulo Rodrigo, de 18 anos e o marido, Jonas Wallace, com quem reatou há nove meses.

Vivi de Assis é passista há 12 anos (Foto: Alessandra Tolc/Yahoo Brasil)

“A segurança que esses dois trazem para mim é a coisa mais gostosa desse mundo. Posso falar que sou uma pessoa abençoada, pois tenho uma família maravilhosa. Quando um não pode me acompanhar o outro vai.”

A passista ensinou sua família a não sofrer pelo preconceito das pessoas: “Às vezes eles se irritam com comentários das pessoas.  Meu marido tem 1,93m e quando estamos na rua andando de mãos dadas tem sempre alguém que faz uma piadinha. Se meu filho ver, ele se irrita, quer brigar. Mas o que importa é o amor que ele transmite para mim e a educação que passo pra ele, isso não tem preconceito que vença”. 

E sobre ter mais um filho, Vivi mais uma vez usa do bom humor: “Só quando eu crescer. Acredito muito na palavra de Deus: ‘Crescei e multiplicai-vos’. Quando eu crescer eu multiplico (risos)”. 

Viviane de Assis, passista da Viradouro (Foto: Alessandra Tolc/ Yahoo Brasil)