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‘Passaporte da vacina’: Poucos restaurantes cobram comprovante no primeiro domingo de obrigatoriedade

·3 min de leitura

RIO — No primeiro domingo após o Rio de Janeiro ampliar a exigência do "passaporte da vacina" para bares e restaurantes, poucos estabelecimentos estavam requisitando dos clientes o comprovante, alegando desconhecimento da regra. A maioria dos consumidores, no entanto, é favorável à medida. Segundo o decreto, o passaporte da vacina é obrigatório para bares e restaurantes no caso de atendimento em locais internos ou que tenha qualquer cobertura.

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No Boteco Boa Praça, em Copacabana, funcionários reclamaram da falta de orientação da prefeitura e disseram não saber que a determinação já estava em vigor. O sócio Talho Delicatessen, em Ipanema, Rafael Savedra, de 44 anos, reivindicou o mesmo.

— A gente ainda está perdido, tentando entender como vamos exigir isso. Chegou uma norma, mas não chegou a explicação de aplicação. Devo exigir as duas doses? Uma só vale? Eu não tenho o calendário na minha cabeça — desabafou o empresário: — Vou ter que ver a identidade das pessoas? Impedir o cliente de entrar é uma situação um pouco constrangedora.

Segundo o secretário municipal de Saúde Daniel Soranz, todos com 12 anos ou mais precisam apresentar as duas doses da vacina contra a Covid-19. No Rio, o intervalo de vacinação da Pfizer foi reduzido de 12 semanas para 21 dias para todas as faixas etárias. Nesta primeira semana as ações da prefeitura serão de orientação sobre a cobrança, mas na próxima já haverá aplicação de multa para quem desrespeitar a regra. As multas podem varias de R$ 2,3 mil a R$ 5 mil.

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O gerente do Botequim Itahy, Márcio Pinheiro, de 43 anos, contou que orienta os clientes sobre a nova determinação. Porém, não tem vetado a presença de quem não está imunizado:

— Orientamos que não sentem aqui do lado de dentro, mas alguns acham que é besteira. Teremos problemas quando começar a fiscalização e tivermos que ser mais rígidos.

Em Ipanema o gerente do CT Boucherie, Osmar Gomes, de 45 anos, barrou uma mesa com oito pessoas pela falta do comprovante da vacina. Ele diz achar constrangedor cumprir a restrição.

— Optamos por não correr o risco, mas é constrangedor barrar o cliente. Ainda mais que passamos muito tempo fechados, sem faturamento. Decidimos colar o máximo de adesivos falando dessa obrigatoriedade. Também informamos sobre a regra quando ligam para reservas — diz Gomes.

A arquiteta Sônia Cunha, de 68 anos, opina que a exigência de apresentação do comprovante da vacina deveria ter começado antes para fazer o controle de “quem pode circular e quem não”. O professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luís Carlos Prado, de 69 anos, concorda:

— Todo mundo tem celular. Você pode pedir a apresentação da mesma forma que tem sido feita em estádios e festas. Não vejo nenhum problema. Não acho que vá criar nenhum constrangimento adicional — afirma.

Sua esposa, Claudia Nóbrega, de 59 anos, professora de Arquitetura da UFRJ, acredita que a regra é essencial para uma retomada mais rápida da economia:

— Tudo vale para gente voltar à vida normal. Quando antes, melhor — diz.

O engenheiro Roberto Fonseca, de 64 anos, almoçou no restaurante Pici, em Ipanema, neste domingo e teve que apresentar o comprovante da imunização.

— Acho importante. Estamos vendo que vários países estão voltando às restrições mais rígidas pela baixa adesão à vacina. Essa medida é 100% válida. Isso me dá tranquilidade para vir comer aqui, já que essa é uma doença letal — pontuou.

Os aposentados Guilherme e Marília Costa, de 71 e 72 anos respectivamente, mostraram com orgulho o registro da dose de reforço para frequentar o restaurante CT Boucherie.

— Acredito que a exigência é perfeita. Um tem que ser solidário com o outro. O ambiente todo está sendo preservado com essa medida — declarou Guilherme Costa.

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