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Partido do governo reconhece vitória de Xiomara Castro na eleição presidencial em Honduras

·3 min de leitura

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Partido Nacional de Honduras reconheceu nesta terça-feira (30) que perdeu as eleições presidenciais e saudou a esquerdista Xiomara Castro. Com 52% das urnas apuradas, a candidata do Libre (Partido Liberdade e Refundação) está 20 pontos à frente do segundo colocado, Nasry Asfura, do Partido Nacional.

"Hoje se vê o clima de paz e tranquilidade que existe no país, embora o Partido Nacional não tenha sido eleito para encabeçar o governo", disse à Rádio América, uma das mais tradicionais do país, o secretário do comitê central da legenda, Kilvett Bertrand. "Desejamos o melhor sucesso aos vencedores das eleições".

Observadores internacionais criticaram a demora na apuração e a paralisação da contagem por mais de 24 horas. "Espero que não haja um atraso de muitos dias [até o resultado oficial]", disse Luis Guillermo Solis, chefe da missão da OEA (Organização dos Estados Americanos), que elogiou a ausência de manifestações políticas violentas.

Segundo a missão da União Europeia, porém, o Partido Nacional, legenda do atual presidente, Juan Orlando Hernández, usou recursos do Estado na campanha. "A mídia estatal favoreceu visivelmente o partido no poder e seu candidato presidencial", disse o chefe da missão, Zeljana Zovko, que destacou também o aumento da distribuição de recursos em programas sociais.

Esposa do ex-presidente Manuel Zelaya, deposto por um golpe de Estado em 2009, Xiomara deve ser a primeira mulher a governar o país, que não tem segundo turno na eleição presidencial, se o resultado se confirmar.

Sua chegada ao poder prometendo conciliação encerrará a hegemonia de 12 anos do Partido Nacional ao substituir o direitista Juan Orlando Hernández, que termina seu segundo mandato envolvido em denúncias de tráfico de drogas nos Estados Unidos - ele nega qualquer irregularidade.

O Libre também conquistou nestas eleições as prefeituras das duas maiores cidades do país, a capital Tegucigalpa e San Pedro Sula.

A equipe de Xiomara já está preparando a transição de governo, e uma das primeiras ações deve ser tentar negociar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional para reduzir o pagamento da dívida com o órgão, disse Hugo Noe, um dos chefes da campanha de Xiomara, nesta terça. "Um diálogo com o Fundo Monetário Internacional começou", afirmou à agência de notícias Reuters. "Obviamente, vai depender das condições, se tiver algum grau de flexibilidade que se alinhe às políticas do Libre existe a possibilidade de um acordo."

Noe, ex-ministro das Finanças hondurenho e chefe do Banco Central, enfatizou que um governo liderado por Xiomara não iria "aumentar ou criar novos impostos".

A economia hondurenha encolheu 9% no ano passado, atingida pela pandemia e por dois furacões que afetaram o coração industrial do norte do país. A dívida externa do país hoje chega a US$ 15,2 bilhões (R$ 85,7 bilhões), o equivalente a 57% do PIB do país. Os pagamentos consomem mais de 30% do orçamento do governo, reduzindo a margem para gastos com educação e saúde.

Outra medida que se espera de Xiomara é estabelecer laços diplomáticos com a China continental, e não mais com Taiwan - Honduras é um dos 15 Estados do mundo que mantêm uma embaixada da ilha asiática, considerada uma província rebelde pelo governo comunista de Pequim.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores de Taiwan, Joanne Ou, afirmou nesta terça que a ilha "continua a fortalecer a comunicação em todos os níveis da sociedade e amigos importantes para explicar as intenções positivas de aprofundar os laços amigáveis e boas relações bilaterais cooperativas", disse.

Na última semana, o regime chinês acusou os Estados Unidos de pressão sobre o governo hondurenho para que o país mantivesse relações com Taiwan. Em resposta, a ilha pediu que o país caribenho não se deixa levar por promessas "espalhafatosas e falsas" de Pequim.

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