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Participar da Parada LGBT ajuda a ter ambiente de trabalho mais igualitário, diz multinacional

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Fabio Costa, o executivo que comanda a operação brasileira da empresa de software Salesforce, se reúne com funcionários e parceiros da companhia na manhã deste domingo (19) e depois segue com o grupo para a Parada do Orgulho LGBT, na avenida Paulista.

A presença da empresa no evento, segundo ele, contribui para o esforço em elevar a diversidade no escritório e o debate na sociedade.

Folha - Por que é importante o mundo corporativo marcar presença em um evento como esse? 

Fabio Costa - Isso tem a ver com representar a sociedade em que estamos inseridos. Se você tem diversidade que represente a sociedade na organização, você cria produtos melhores e tem condição de atender melhor essa sociedade. Sem diversidade, não tem inovação.

Se você quiser uma sociedade que evolua e empresas que progridam, é fundamental ter o debate aberto. E ele só vem com perspectivas distintas, algo que se consegue com diversidade. Não é só para a empresa. É a sociedade como um todo. No debate aberto, todos têm voz.

Folha - Quando foi a primeira vez que a Salesforce se colocou na parada e o que mudou de lá para cá? 

Fabio Costa - Temos um grupo que trata do tema na Salesforce desde 2014. Participamos da parada em 2019. Foi importante, mudou a capacidade de escuta dentro da empresa.

Questões de viés no ambiente de trabalho acabaram sendo reduzidos. Você aumenta a possibilidade de as pessoas se posicionarem da forma como elas são e, principalmente, avançarem na carreira dentro da organização. Gera uma população mais educada sobre o tema internamente. Se pensarmos que esse é um fator para se enxergar o outro e ter escuta, acho que foi um passo gigantesco para a gente.

A consequência disso é que, se há maior consciência dos vieses que acontecem na organização e na sociedade, e você internaliza um ambiente mais igualitário, a justiça para as promoções fica muito maior. Você cria uma organização mais transparente e mais justa nas oportunidades.

Outra coisa: se você tem isso acontecendo dentro da organização, as pessoas passam a ser mutiplicadoras fora dela, na sociedade. O objetivo não é só educar na organização. É fazer de cada funcionário um multiplicador.

Folha - Esse movimento é puxado pelo exterior? O Brasil tem condição de ser motor disso? 

Fabio Costa - Os exemplos do Brasil são muito interessantes. Ainda tem no Brasil um resto do estereótipo de ser uma sociedade inclusiva, sem polarizações raciais, de orientação sexual etc. E isso é falso.

Por outro lado, quando a gente olha como a abordagem do tema tem sido feita dentro das organizações que dão mais atenção para isso, tem sido uma abordagem construtiva, o que ainda não acontece tanto em outros países onde ainda tem polarização. Nos Estados Unidos, por exemplo, tem uma tensão com o tema, eu diria, maior do que no Brasil, apesar do momento que a gente está vivendo hoje.

No Brasil, tem uma capacidade de diálogo enorme dentro das organizações.

Folha - Algumas indústrias estão muito atrasadas nesse debate. Há setores mais atentos? O setor de tecnologia é um deles? 

Fabio Costa - Não tenho dúvida de que o segmento de tecnologia, até em função da origem na costa oeste americana, tem esse tema muito avançado se comparado a outros. Mas não tem nenhum segmento hoje que não tenha atenção ao tema. Não dá para dizer que algum seja menos sensível.

Agora, uma coisa é você ser a favor da causa. Outra coisa é você conseguir executar, na sua política diária e na sua operação, formas de fazer com que isso se torne realidade. O segmento de tecnologia, pelo menos até o momento, é mais simpático ao público do que outros segmentos. Eu diria que todo mundo tem que se desenvolver mais, inclusive a indústria de tecnologia.

O Brasil tem um desafio de trabalhar a questão da inclusão, de orientação sexual, gênero e racial, ao mesmo tempo em que tem de enfrentar temas importantes como fome e educação. Teremos que juntar em um único bloco. O nosso cuidado é colocar o tema não como algo isolado, mas como inclusão social.

A parada de domingo é um carro-chefe muito importante, não só para defender a inclusão desse grupo, mas para servir como uma bandeira muito forte, e esse grupo é muito articulado, para defender a inclusão de todos. Econômica, social, na educação.

No Brasil, como a gente tem vários problemas para resolver, esse tipo de articulação é extremamente importante.

Folha - Com a chegada do governo Bolsonaro e depois a pandemia, que levou a parada para o virtual, teve algum impacto? O que espera do evento neste ano? 

Fabio Costa - Passamos dois anos presos em casa. Pensávamos que íamos sair melhores do ponto de vista da identidade humana, sobre o que significa ser humano. Talvez essa pauta não tenha avançado tanto quanto esperávamos após uma experiência global tão impactante quanto a pandemia.

Foi uma vida de bolha. Com a comunicação pelos meios eletrônicos, você fica invisível para a outra bolha. A volta do evento torna visível também para quem não é da bolha. As pessoas só têm voz se elas existem. Se ninguém as vê, elas não têm voz.

Ainda não há lugar melhor do que o mundo real para você ser visto. A volta do evento presencial é importante para esse grupo mostrar que continua presente, que é volumoso, que não vai desaparecer e que ainda vai crescer mais.

Raio-X

Diretor-geral da Salesforce Brasil, onde trabalha desde fevereiro de 2019, o executivo tem bacharelado em processamento de dados na PUC-RJ, PhD e mestrado em administração de empresas pela mesma instituição, além de graduação no General Management Program da Harvard Business School

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