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Covid fará participação laboral feminina recuar uma década na AL, diz Cepal

Paulina ABRAMOVICH
·3 minuto de leitura

A pandemia do coronavírus provocará um retrocesso de uma década na participação das mulheres na força de trabalho na América Latina, com efeitos econômicos e sociais que vão repercutir de forma significativa na autonomia das mulheres, advertiu a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) nesta quarta-feira (10).

Em 2020, a participação das mulheres no mercado de trabalho caiu para 46% após situar-se em 52% no ano anterior. No caso dos homens, alcançou 69% contra 73,6% em 2019.

"A pandemia causará uma redução nos níveis de ocupação das mulheres que representa um retrocesso de pelo menos dez anos", diz um relatório do organismo, publicado nesta quarta.

Em meio às restrições sanitárias impostas para frear a propagação da covid-19 em toda a América Latina, "houve uma retumbante saída de mulheres do mercado de trabalho, que, por terem que atender às demandas de cuidados em seus lares, não retomaram a procura por emprego", acrescentou o documento.

A Cepal, organismo técnico das Nações Unidas com sede em Santiago, calculou, ainda, a taxa de desocupação das mulheres chegou a 12% em 2020, um "percentual que se eleva a 22,2% se se assumir a mesma taxa de participação laboral das mulheres em 2019", segundo o documento.

Afetado pela pandemia, o Produto Interno Bruto (PIB) regional caiu 7,7% em 2020, com forte impacto no emprego. Neste contexto, o organismo regional estima que cerca de 118 milhões de mulheres latino-americanas estariam em situação de pobreza, 23 milhões a mais do que em 2019.

"As mulheres da região são parte crucial da primeira linha de resposta à pandemia", disse Alicia Bárcena, secretária executiva da Cepal, ao apresentar o relatório durante uma coletiva de imprensa.

Para ilustrar este importante papel, Bárcena explicou que 73,2% das pessoas empregadas no setor da saúde são mulheres, "que tiveram que enfrentar uma série de condições de trabalho extremas, como extensas jornadas de trabalho, que se somam ao risco maior a que se expõe o pessoal de saúde de se contagiar com o vírus".

Além disso, a renda das mulheres que trabalham na área da saúde é 23,7% menor que a dos homens do mesmo setor, acrescentou Bárcena.

- Alto risco -

A Cepal também estimou que setores econômicos fortemente afetados pela pandemia e, portanto, em maior risco, são dominados pelas mulheres, como o comércio, as indústrias manufatureiras, o turismo e os serviços domésticos.

"Os setores em alto risco concentram cerca de 56,9% do emprego das mulheres e 40,6% do emprego dos homens na América Latina", segundo o relatório da Cepal.

De acordo com o organismo, estes setores não só empregam mulheres em sua maioria, mas também "se caracterizam por altas taxas de informalidade, baixas remunerações e baixos níveis de qualificação".

Uma das fontes de trabalho mais afetadas pela covid-19 foi o trabalho doméstico remunerado, exercido majoritariamente pelas mulheres. Em 2019, antes da pandemia, cerca de 13 milhões de pessoas - das quais 91,5% mulheres - se dedicavam a este tipo de trabalho. No total, este setor empregava 11,1% das mulheres ocupadas na região.

Mas durante o segundo trimestre de 2020, o nível de ocupação nesta área de trabalho caiu 24,7% no Brasil, 43,6% no Chile, 44,4% na Colômbia e 45,5% na Costa Rica.

O setor do turismo, no qual 61,5% dos postos de trabalho eram ocupados por mulheres, também sofreu uma contração importante, que afetou sobretudo países do Caribe, onde uma em cada dez mulheres ocupadas se concentra neste setor.

"É fundamental avançar em um novo pacto fiscal, que promova a igualdade de gênero e evite o aprofundamento dos níveis de pobreza das mulheres, a sobrecarga de trabalho não remunerado e a redução do financiamento de políticas de igualdade", alertou a secretária executiva da Cepal.

pa/yow/mr/mvv