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Parte da cratera Gale, em Marte, parece ter sido alterada por água subterrânea

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O leito rochoso da região de Glen Torridon, localizada na cratera Gale, em Marte, parece ter sido alterado pelo fluxo de água subterrânea durante o passado do planeta. As descobertas vêm de análises feitas pelo rover Curiosity, e trazem implicações importantes tanto para a compreensão da habitabilidade no passado de Marte quanto para a possibilidade de descobrirmos vida por lá.

O rover Curiosity pousou na cratera Gale em 2012 para investigar se o Planeta Vermelho já teve as condições adequadas para abrigar microorganismos. Em 2019, o rover começou estudos dos antigos leitos de rocha em Glen Torridon, que duraram até janeiro de 2021. E durante esta análise, o robô observou sinais de mudanças nas rochas, causadas por água subterrânea.

Registro de Glen Torridon, com destaque para rochas no primeiro plano (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS)
Registro de Glen Torridon, com destaque para rochas no primeiro plano (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS)

As alterações pareciam ainda mais evidentes em elevações mais altas ao longo do caminho do rover. Além disso, o Curiosity descobriu também vários nódulos, veias e outras formações relacionadas às alterações nas rochas causadas pela água. “O motivo primário pelo qual o rover foi enviado a Marte era investigar esta região, para entendermos a transição de Marte primordial, quente e úmido, para um planeta frio e seco”, disse Patrick Gasda, autor principal do estudo.

Os autores trabalharam com dados do instrumento ChemCam, registrando informações sobre a composição química e coletando fotos das câmeras do Curiosity para procurar mudanças físicas e químicas nas rochas. “Primeiro, vimos uma grande quantidade de ‘nódulos’ escuros e arredondados nas rochas, e essas estruturas geralmente se formam em sedimentos macios, encontrados em lagos ativos na Terra”, relatou Gasda. "Assim, foi provavelmente deste modo que eles se formaram em Marte".

O rover encontrou também veias escuras com alta presença de ferro e manganês, enquanto as mais claras eram ricas em flúor. “Acreditamos que, nos estágios iniciais da cratera, quando o impacto inicial aqueceu as rochas ao redor dela, a água subterrânea fluiu através das rochas e essa água quente provavelmente extraiu elementos delas, como o flúor”, observou o autor.

Rocha apelidada "Ben Hee", com vários nódulos escuros em sua estrutura; geralmente, os nódulos se formam em sedimentos macios, encontrados nos lagos na Terra (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS/LANL/IRAP-CNES)
Rocha apelidada "Ben Hee", com vários nódulos escuros em sua estrutura; geralmente, os nódulos se formam em sedimentos macios, encontrados nos lagos na Terra (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS/LANL/IRAP-CNES)

As altas concentrações de flúor costumam ser encontradas somente nos sistemas hidrotérmicos na Terra, de modo que a equipe não esperava encontrar estas composições em Glen Torridon. Por outro lado, os sistemas hidrotérmicos podem ajudar os pesquisadores a compreender melhor a habitabilidade em Marte: eles trariam elementos à superfície, que poderiam ser usados por microrganismos para produzir energia.

Já as rochas sob a cratera podem ter permanecido aquecidas por mais tempo do que se pensava inicialmente, o que pode explicar a alta concentração de elementos na água, como o flúor. “Esta região provavelmente representa as últimas etapas da umidade em Marte, e queremos entender os sedimentos do lago para termos uma referência sobre o que aconteceu logo antes de o clima do planeta mudar'', disse o autor. “No fim, este se mostrou um período muito ativo no passado de Marte”.

O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Journal of Geophysical Research Planets.

Fonte: Canaltech

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