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Parcela de famílias endividadas registra patamar recorde em junho, mostra CNC

Alessandra Saraiva

Segundo o presidente da entidade, a nova alta do endividamento indica que as famílias estão demandando mais crédito do sistema bancário A proporção de famílias endividadas, medida pela Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), chegou a 67,1% em junho, conforme a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Foi o maior patamar da série, iniciada em janeiro de 2010. O recorde anterior tinha sido registrado em abril deste ano (66,6%). Em maio, a fatia ficou em 66,5%. Em junho de 2019, o porcentual era de 64%.

Segundo a CNC, a fatia de famílias com dívidas ou contas em atraso ficou em 25,4% em junho, acima de maio (25,1%) e de junho de 2019 (23,6%). A parcela de famílias endividadas que declararam não ter condição de quitar empréstimos ficou em 11,6% em junho, ante 10,6% um mês antes e 9,5% em junho do ano passado.

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A parcela média de renda mensal das famílias comprometida com pagamento de dívidas ficou em 30,4% em junho, ligeiramente acima de maio (30,3%), de junho de 2019 (29,5%) e a mais elevada desde novembro de 2017 (30,6%), segundo a mesma pesquisa.

Para Izis Ferreira, economista da confederação, a necessidade das famílias de compor renda para as despesas do dia a dia, em meio à pandemia elevou a necessidade de crédito das famílias, levando a aumento de endividamento. Ela não descartou possibilidade de continuidade de trajetória ascendente do percentual de famílias endividadas.

A economista comentou que, com a crise atual, causada pelo avanço da covid-19 no país, houve deterioração do mercado de trabalho, com perda de emprego, aumento de desemprego, redução de jornada e de salários. Isso na prática gerou impacto profundo na renda das famílias, que agora têm dificuldades para pagar as contas em dia.

“Diferente de outros aumentos de parcela de famílias em endividamento na pesquisa, que foram influenciadas para fazer compras de duráveis, por exemplo, essa alta na parcela [de endividados] está sendo voltada para comprar itens essenciais”, comentou ela.

Para ela, na crise, as famílias se tornaram mais dependentes do crédito, e isso acaba por impulsionar endividamento. Ela nota que, como a perda de renda causada pela pandemia foi profunda, a necessidade por empréstimos não deve sumir nos próximos meses - o que na prática vai estimular continuidade na trajetória de alta de endividamento.

Outro aspecto mencionado por ela foi a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) em reduzir ontem a taxa básica de juros para 2,25% ao ano. No médio e no longo prazo isso vai oferecer condições mais favoráveis ao acesso ao crédito pelas famílias, notou ela.

"Mesmo com transferência de renda, com auxílio emergencial do governo, ajudando boa parte das famílias de menor renda, ´temos demanda maior por crédito, entre as famílias de renda mais baixa", acrescentou ela. "Não podemos saber qual será o tamanho do aumento [na parcela de famílias endividadas] mas como também temos essa decisão do BC, podemos dizer que pode continuar a subir a parcela de endividamento das famílias", comentou ela.