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Paralamas retomam no Circo Voador show suspenso pela quarentena contra a Covid-19

·5 min de leitura

A novidade veio dar na Lapa. Em março de 2020, os Paralamas do Sucesso tinham escolhido o Circo Voador como ponto de partida da turnê "Clássicos", que, como diz o nome, empilha sucessos que a banda coleciona desde 1983. O palco foi montado, entrevistas dadas, ingressos vendidos, mas na hora de sair para a passagem de som, no início da noite, veio o comunicado: um decreto proibia as aglomerações, e chegava a hora do recolhimento pandêmico.

— Foi muito frustrante — lembra o baterista João Barone. — Como tudo estava sendo cancelado, a gente não foi pego exatamente de surpresa. Mas é o Circo Voador, né? Quando a gente tocou lá pela primeira vez, em 1983, abrindo pro Lulu Santos, pensamos: "Não temos mais para onde crescer. Podemos ir para casa criar galinhas".

Pois a banda, afinal, achou seus caminhos e deixa esse tamanho todo impresso no Circo Voador, numa festa de sorrisos, abraços e lágrimas. Na noite de abertura, na sexta-feira, foram duas horas ao som de "Vital e sua moto", "Ela disse adeus", "Trac trac" e muitas outras, até um segundo bis improvisado com "Dos margueritas" e "Manguetown", de Chico Science & Nação Zumbi, sem ensaio mesmo. Hoje o grupo faz o terceiro e último show no palco da Lapa, às 19h.

— A galera pediu, a banda tem que voltar — diz o empresário e "quarto paralama" José Fortes, mais um eufórico com o renascimento na Lapa.

A fúria com que o virtuoso Barone espancava a bateria no começo do show trazia até preocupações com a forma física do músico de 59 anos (Herbert Vianna e Bi Ribeiro estão com 60), mas ele garante que suporta bem.

— É a fome de bola — brinca o baterista. — A gente está louco para tocar. Se fosse pelo Herbert, tinha show todo dia. Quando fomos a Curitiba com a turnê, foram duas apresentações no mesmo dia. A cidade ainda tinha restrições e não podia vender 100% dos ingressos. O show da noite se esgotou rapidamente, e marcamos um outro à tarde, uma matinê com os Paralamas.

Mais ou menos como a "No filter", dos Rolling Stones, que começou em 2017 e chegou ao fim há uma semana, a "Clássicos", dos Paralamas deve durar pelo menos dois anos, além do tempo de pandemia. O pontapé inicial não foi no Circo Voador, mas essa dívida agora está paga. O show já passou por São Paulo, Curitiba, Sete Lagoas-MG, e agora tem datas em Bauru-SP, Belo Horizonte, João Pessoa (réveillon na Paraíba, terra natal de Herbert) e outras cidades. O trio (com os fiéis escudeiros João Fera nos Teclados, Monteiro Jr no saxofone e Bidu Cordeiro no trombone) volta ao Rio no dia 18 de dezembro para uma apresentação com a Blitz no Morro da Urca e depois participa do festival Universo Spanta, na Marina da Glória, no dia 15 de janeiro de 2022.

Na sexta-feira, no Circo, o público cantou tudo, dos sucessões como "Meu erro", que fechou o primeiro bis, a "O calibre" — primeira música apresentada pela banda após o acidente de ultraleve de Herbert, em 2001, que vitimou sua mulher, a inglesa Lucy Needham, em uma noite com clima semelhante, só que no extinto Ballroom —, passando pela obrigatórias "Alagados", "Você", de Tim Maia, e "Cuide bem do seu amor".

— Passamos um mês ensaiando e montando o repertório — lembra o baixista Bi Ribeiro, um tímido que se viu na obrigação de dominar o palco e cumpre a função com galhardia. — É mais ou menos óbvio, né? Tem música que não pode faltar. Só tiramos algumas que são menos animadas, como "La bella luna" e "Seguindo estrelas", porque o show tem que acabar um dia, afinal. Agora a gente não ensaia mais, preferimos a espontaneidade do show, mesmo que venham uns errinhos.

Um outro cuidado é com o crossfit de João Barone. O repertório tenta não deixar em sequência músicas que exijam mais do atleta da bateria.

— E ainda tem o calor; o Circo, quando o tempo está quente, é muito abafado — diz Bi. — João e eu temos ventiladores, mas o Herbert não usa, e na sexta-feira ele quase passou mal.

A saúde do cantor e guitarrista, confinado a uma cadeira de rodas desde o acidente de 2001, é uma preocupação de Fortes e dos companheiros, mas sem exageros.

— Estamos fazendo tudo o que as autoridades sanitárias mandam — diz o empresário. — Passamos por testes toda semana ("Já fiz uns 25 PCRs!", acrescenta Barone), todo mundo está vacinado, assim como o pessoal do Circo, que também cobra o registro de vacina do público, na entrada. Não vou impedir ninguém de se abraçar. É claro que temos medo de novas variantes do Coronavírus, mas estamos fazendo a nossa parte.

Abraços e sorrisos foram, de fato, uma constante no show de sexta-feira, no palco e na plateia. Pelo prazer de um momento de arte ao vivo e, para alguns, pela retomada da vida profissional.

— Nós passamos seis meses sem nenhuma atividade em 2020 — lembra Fortes. — Nossa primeira live só aconteceu em setembro. Nesse tempo, demos todo o apoio que pudemos à nossa equipe, que hoje é de 20 pessoas, 17 na estrada e mais três no escritório. Fizemos vaquinhas, doamos instrumentos para leilão e apertamos o cinto o quanto pudemos para garantir um mínimo de dignidade financeira para todo mundo.

O sempre otimista João Barone reitera sua crença na ciência e na volta da normalidade.

— A agenda está cheia no mês de dezembro, um ótimo sinal, e ainda estamos vendo que os shows promovidos por prefeituras, gratuitos, estão voltando. A arte e a cultura são uma parte muito importante da economia. A nossa sensação é a de que está "despiorando".

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